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Sexta-feira, Junho 30, 2006
ESTE BLOG MUDOU-SE PARA:
WWW.COMENDADOR_BALTAZAR2.BLOGGER.COM.BR
ACESSE E TENHA UMA BOA LEITURA... SE PUDER.
Oiram Bourges 13:29 [+]
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Sábado, Abril 01, 2006

Oiram Bourges 17:34 [+]
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Sexta-feira, Março 24, 2006
EM BREVE UM NOVO ENDEREÇO PARA A COLUNA DO COMENDADOR BALTAZAR ESTARÁ DISPONÍVEL. AGUARDEM.
Oiram Bourges 14:51 [+]
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No boteco da esquina estava eu e o velho Beleléu no limiar de uma longa e chata conversa sem fundamentos ou interesses. E por que estávamos começando algo tão insólito quanto um assunto inútil, modorrento e enfadonho? Que saberia eu dizer àquela hora tão alcoolizada do dia? Bom, só sei que estava eu, segurando com a mão esquerda, uma garrafa de cerveja quase vazia, e na mão direita uma colher de sopa que peguei não sei de onde, e que também não sabia o motivo de eu estar segurando aquele negócio. Curiosamente o Beleléu também segurava com a mão esquerda uma garrafa de cerveja, porém a dele já estava vazia, e na mão direita uma outra colher de sopa. Por quê? Que sei lá eu sobre isso?
Continuando; lá pelas tantas, como por impulso, nos levantamos rapidamente e começamos a duelar e a desferir vários golpes de colher um no outro. Coisa de bêbado, claro. O proprietário do bar? Logicamente que saiu de trás do balcão com outra garrafa de cerveja na mão esquerda... Porém, na mão direita não tinha colher de sopa como nós, e sim uma toalha molhada e enrolada que era agitada de maneira que lembrava um chicote. Por quê? Não sabia dizer até o momento que ele desferiu uma toalhada daquelas na minha perna. Logo de cara eu bambeei, a ponto de ter que me escorar na cabeça de um sujeito que dormia na mesa. Já o Beleléu saiu correndo para fora, mas também não se deu bem, pois trombou com um outro velho que cambaleava na calçada sob os efeitos do álcool. E por que seria diferente? Afinal velhos vão aos botecos para encher a cara.
Contudo, pensei que fossemos apanhar mais, coisa que, aliás, nem sabia o motivo da toalhada nas minhas pernas, nem na orelha do Beleléu, que levou enquanto tentava se desvencilhar do bêbado que o agarrou no chão depois de terem trombado. E também não fiquei contente com tal atitude. Penso que isso não se faz com ve... Pessoas com experiência. Pura falta de respeito. Só por isso não paguei a conta, deixei a minha, pelo menos, para o bêbado que dormia na mesa. Quem era o bêbado? Ah, sei lá. E isso também não fazia a menor diferença, nem para mim quanto para o sujeito que estava largado na mesa como se fosse um pedaço de papel amassado. Bom... Azar o dele.
Um outro motivo que me fez sair de lá do boteco. Foi a chuva que começou a cair, coisa que aliás me deixou preguiçoso. Ainda mais depois de algumas doses de álcool no sangue, no estômago, na cara, nos sapatos e na roupa. E tem uma outra coisa nesta história que, de certa forma, me obrigou a sair de lá e rumar para um outro lugar, a minha casa, por exemplo. O que era esta coisa? Sabe, naquele instante lembrei que a Olga iria fazer, para acompanhar o café da tarde, um bolo de milho, mais um pudim de leite, para a sobremesa do dia seguinte. Obviamente não deixaria de comer o bolo para ficar lá, naquele lugar insólito cheio de velhos, e bêbados, e moscas roendo nossas orelhas, e baratas que ficam zanzando por lá apenas para tomar de nossas bebidas enquanto estivermos babando sobre as toalhas encardidas de vômito, ou algo parecido. Bom, depois desta experiência agitada, e ao mesmo tempo enfadonha, voltei a ter uma vida normal, ou seja, estagnada.
Aqui, emoções variadas. Primeiro: salve-se quem puder, depois disso: cada um por si.
Oiram Bourges 14:42 [+]
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Domingo, Março 19, 2006
Após horas andando sem rumo e sem um sentido lógico para tal ação entrei em um prédio no centro da cidade. Posso dizer que também não vi lógica para isto, mas como avistei umas poltronas da calçada através das portas de vidro adentrei no edifício para descansar um pouquinho. Era um lugar muito bonito, cheio de pessoas bonitas e bem vestidas e corteses para com os outros que lá circulavam. Resumindo um pouco; era coisa de outro mundo, ou coisa de sonho, pois na maioria das vezes quando entramos em algum lugar público nos sentimos ameaçados pelos olhares dos atendentes, por mais que as palavras ditas por eles não pareçam assim.
Bom, deixe-me continuar. Depois que entrei e me sentei confortavelmente naqueles sofás de couro veio uma bonita moça perguntar se eu gostaria de algo, como: chá, ou café, ou água, ou cerveja, ou whisky. Eu, surpreso por saber que poderia escolher qualquer coisa desse tipo pedi, ainda que um pouco tímido, um singelo e não muito exagerado copo de whisky. Porém, se não fosse pedir demais, que fosse de no mínimo 12 anos de envelhecido, além das três doses no capricho e duas pedras de gelo. Mas isso se não desse trabalho, claro.
Contudo, lá pelas tantas, apesar de embalado pelas infindáveis doses de whisky, que ainda não descobri por que resolveram me servir, eu conseguia ainda perceber os acontecimentos ao meu redor. Que era um tal de recepcionista se estapeando com o porteiro, por quê? Não sei. Consecutivamente este se estapeava com o gerente, que se estapeava com os pedestres que resolviam entrar para pedir qualquer coisa. E o resto se estapeando entre si pelos longos corredores que não levavam à lugar algum daquele imenso ambiente. Quanto a mim, bebendo meus whiskies sem problemas naquele sofá que deixa qualquer um pra lá de preguiçoso.
Sei que está parecendo uma loucura sem fim tudo isso. Mas foi o que aconteceu. No entanto, quando pensei em me levantar do sofá para ir embora, pois eu sentia que as coisas estavam ficando um tanto quanto perturbadoras no sentido das relações interpessoais, veio a moça que me oferecera os whiskies anteriormente pedindo para que eu mantivesse no sofá porque traria uma outra garrafa desta bebida, porém, a outra garrafa seria de dezoito anos de envelhecida. Sabe que até quis ficar para degustar da bebida, mas naquele instante já nem sentia minhas pernas direito. Então, assim que consegui me levantar sobre minhas pernas moles que se dobravam em cinco partes, aproveitei a situação onde todo mundo se estapeava incessantemente na recepção daquele prédio e sai me escorando pelas paredes do local até a outra garrafa de whisky que estava exposta na ponta de um balcão. Daí então rolei com a garrafa apertada em meus braços até a calçada lá fora. Parece mentira ou algo assim. Sei disso. Mas foi verdade.
Agora o mais importante; apesar dos pequenos machucados nos braços, pernas, costas e cabeça, por eu ter rodopiado feito um pião com aquela garrafa nos braços, sai de lá sem ser agredido por aquele pessoal maluco, e ainda, com uma bela bebida. Se bem que, no dia seguinte a este caso inédito eu reparei que naquela confusão toda de tapas que foram distribuídos mutuamente entre funcionários e qualquer pessoa que por lá circulavam, foi descobrir que a tal garrafa de whisky que peguei enquanto rodopiava não era bem uma garrafa de whisky, e sim um vaso de flores multicolorido. Consecutivamente o que trouxe para casa não daria para beber. Bom, pelo menos não levei tapas... Se bem que, há esta altura dos fatos nem sei se chegaram mesmo a se estapearem como presenciei naquele momento. Mas quanto a isso também nem me incomoda mais saber se era verdade essa história toda ou não. O que importava era saber que cheguei em casa. Só restava saber que casa era aquela que acordei no dia seguinte, porque de resto, sem problemas.
Era assim que eu via as pessoas no tal prédio fazendo. Agora se estavam mesmo se estapeando não posso confirmar, ainda mais depois de ter acabado com uma garrafa inteira de whisky... ou depois de meia garrafa desta bebida apenas, sei lá.
Oiram Bourges 14:59 [+]
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Quarta-feira, Março 15, 2006
Normalmente costumo ir dormir cedo, após a meia-noite. Ã... Veja: a coisa toda aconteceu no meio da madrugada. Estávamos todos dormindo... Bom, pelo menos eu estava... E também não tenho certeza era madrugada, mas isso não vem ao caso agora. Então, quando tudo era tranqüilidade naquele sonho maluco que eu sonhava no momento, escutei:
-- Dorotéia! Gritou alguém com uma voz sofrida, melancólica, e ao mesmo tempo demonstrando impaciência. Agora eu, que não tinha nada haver com essa história, pensei: que se dane. Contudo, a história não parou por aí.
-- Dorotéia! Gritou mais uma vez com a voz sofrida e até um pouco trêmula. Foi aí que comecei a imaginar algumas coisas. A princípio pensei na volta de uma alma penada que veio assombrar esta tal Dorotéia. Depois pensei que poderia ter me enganado quanto ao nome, e que no lugar de Dorotéia poderia ser gonorréia, e a pessoa que gritou estava com este problema. Puxa vida! Que dureza para ele se for isto mesmo, continuei pensando.
Então, quando tudo já estava calmo, e eu quase conseguindo retornar ao meu sonho maluco de gatos brancos malhados de cor-de-rosa que subiam pelas paredes, e eu, que estava grudado no teto de uma sala toda branca, e que acabara de atirar com uma escopeta em um urso polar, acordei com mais um pavoroso grito vindo não sei de onde.
-- Dorotéia! Ô Dorotéia! Acorda sua dorminhoca. Acorda e vem limpar minha bunda que eu estou todo cagado! Gritou assim o sujeito com uma voz sofrida, e ainda, impaciente, revoltado, melancólico, tremendo de cólera, e para completar; cagado. Depois disso a tal Dorotéia foi ao quarto deste infeliz para limpar suas partes nadegosas. Pelo menos foi assim que pensei, porque não ouvi mais nada. Contudo, algo ativou meus pensamentos. Após este episódio pra lá de estranho comecei a ouvir os cachorros da vizinhança latirem feito desesperados. Não sei se tem alguma coisa haver, mas como não escutei mais reclamações do sujeito que estava cagado, tenho a impressão que esta tal Dorotéia, ou limpou mesmo o sujeito e o colocou para dormir, ou o lançou janela a fora... Sei lá. De qualquer forma... Tanto faz. Já perdi o sono mesmo.
Depois de tudo isso fiquei pensando com que quantidade ele poderia estar cagado... Mas procurei esquecer disso logo também.
Oiram Bourges 16:18 [+]
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Terça-feira, Março 07, 2006
Para mim foi difícil, digo, estava difícil. Na verdade é difícil. Aconteceu tudo sem pensar. Estavam todos lá, em volta de mim, gritando, me pressionando, pedindo aos berros para que eu largasse a faca, aquela faca com uma lâmina grande que comprei para fazer churrasco, e que, nunca soube ao certo como usava. Mas na hora H eu a usei com violência e de maneira inconsciente. Confesso que estava com a cabeça não sei onde. Meu instinto animal me dominou depois daqueles intermináveis goles extra grandes de cachaça e outras coisas que nem me lembro mais.
Foi horrível, tudo estava horrível. Na verdade é horrível. Pediram, imploraram para eu parar. Tinha até gente chorando entre os sofás vomitados depois que um líquido vermelho, que parecia sangue, esguichou pelo chão da sala. E no auge do massacre, eu, peguei novamente aquela faca que nunca soube usar, mas naquele momento eu a manipulava como um samurai, então segurei-a com firmeza, olhei bem para os olhos e arranquei um deles. Se bem que, a sala já parecia um mar de olhos onde, de vez em quando eu pisava em alguns deles, e em outro momento eu os liberava para o cachorro e o gato comerem.
E isto, acreditem ou não, foi dando em mim uma vontade incontrolável de fazer o mesmo que os bichos, e enquanto, eu preparava a boca para chupar um olho, para ver como era, aconteceu a coisa que eu mais temia:
-- Largue já esta nojeira seu velho maluco! Gritou assim comigo a Olga antes de desferir uma vassourada na minha cara.
-- Hum? Perguntei assim, todo indignado à ela.
-- Porco! Você é um porco, nojento. Já vou te ensinar a não fazer mais isso. Está certo que ajudou a me livrar dessas pragas, mas fazer picadinho das moscas e depois chupar os olhos delas... Argh!... Assim já é demais.
Oiram Bourges 19:47 [+]
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Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
Nesta semana, como não tinha nada para fazer, para variar, resolvi me aventurar em andar de ônibus e coisa e tal, só para ver onde iria parar. Sabe que meu senso de direção não está dos piores, pois até que fui direitinho para o centro da cidade. Só não me lembro que ônibus era, mas isso não me preocupou porque como teve um que me trouxe para o centro deveria ter alguns outros tantos que me trariam de volta. Então, com este pensamento sai caminhando pelas ruas a fim de me deparar com alguma diversão. Você não imagina qual foi minha vontade de entrar num teatro onde estava tendo uma apresentação de um grande pianista internacional, do qual não lembro o nome... Mas o que estou dizendo? Nem sei quem é o sujeito até hoje. Nunca ouvi falar dele em toda a minha vida. E também não fiquei preocupado em saber o nome dele... Não gostei da música que ele tocava. Era muito chata. Mas também só entrei por que não precisei pagar ingresso.
O tal pianista tinha jeito de ser malucão, e era um sujeito eclético na maneira de se vestir. Além de estar enfiado num punhado de roupas coloridas tinha no dedo mínimo da mão direita um baita de um anel que chamava mais a atenção do que o resto de suas vestimentas. Pois bem; logo na primeira música ele se mostrou ser um virtuose. Tocou como poucos, mas foi tudo indecifrável. Ninguém entendeu porra nenhuma. E creio que nem ele nem o pessoal que lá estava para prestar assessoria a ele deva ter entendido o que foi tocado. Enfim, deixe-me continuar; ao término desta música, que no meu ponto de vista nem poderia ser considerada música, todos aplaudiram, inclusive eu. Não quis parecer um ignorante no assunto. Embora todos que lá estavam devem ter pensado o mesmo que eu.
Mas veja, ainda era o fim da primeira música, e pela a empolgação de todos que aplaudiram esta quase música o sujeito tocaria por toda a noite como se estivesse ligado na tomada. Como sinal de agradecimento talvez. Bom; após alguns segundos virado para o piano, provavelmente para adquirir novamente a concentração, começou a executar uma outra pseudomúsica. E lá estavam todos, inclusive eu, olhando, como por atração do movimento que ele fazia, e ouvindo, como por falta de opção. Contudo, a vida não estava perdida à toa naquele salão pelo resto do dia. Tive o prazer de apreciar uma cena no mínimo estapafúrdia para compensar minha entrada gratuita no teatro. Não que não goste de teatros, não foi isso que disse. Eu apenas me dei mal com este dito espetáculo, que, por azar, estava sendo apresentado no teatro. Só isso.
Ah! Quase tinha esquecido do que aconteceu. Veja; enquanto ele se acabava no piano com suas mãos já inchadas, seus dedos se entrelaçavam e também se batiam de quando em quando. Porém, durante a execução da... Música, e após um soco que ele mesmo acertou em seu próprio rosto pelos movimentos, que, de tão descoordenados que me pareciam, mostravam-se, ao mesmo tempo, harmoniosos. Agora vá entender o que eu acabei de dizer agora. Mas por incrível que pareça era isso aí. Bom; assim mesmo não se sentiu intimidado com o tal soco, apesar de ter arrancado seu próprio sangue com a pancada. Mas isso só o deixou mais maluco. Só sei dizer que o piano quase pegou fogo de tanto malabarismo feito com aquelas mãos doentias. Ah! Quase esqueci de novo. O anel gigante dele, depois da auto-porrada, começou a escorregar e a escorregar até que escapou miraculosamente do dedo e voou longe. Depois que isso aconteceu a apresentação parou completamente, pois ele se levantou do banquinho e foi atrás de sua preciosidade. Então pensei: é a minha deixa... E deixei o lugar junto com mais uma dúzia de pessoas loucas para dar o fora de lá.
Respirando ar puro, ou quase puro, e olhando um punhado de carros passar por onde eu estava, fiquei pensando em aproveitar o resto do tempo que tinha reservado para ficar andando pelo centro. Claro que antes tive de me desvencilhar dos outros sujeitos que saíram do teatro junto comigo. Eles também eram chatos. Então, depois de tudo resolvido era o momento da diversão. Resolvi que seria bom dar uma passadinha no Odil, ver como é que estava o bar dele, pois fazia um tempo que não ia lá. Chegando lá me deparei com uma multidão fazendo a maior festa ao som das marchinhas de carnaval. Claro que foi no maior estilo polaco de ser, ou seja, sem nenhuma ginga. Então foi aí que pensei: estamos em época de carnaval... Que otário que fui ter ido ver um maluco se debulhando em cima de um piano ao invés de ter vindo aqui direto. Mas tudo bem. Cheguei a tempo de me divertir. Assim mesmo me pergunto como foi que esqueci do Primeiro Grito de Carnaval que o Distinto organiza todos os anos. Enfim, por mais algumas horas eu me acabei de beber, de dançar, mesmo eu não sabendo dançar, de falar, de gritar, e o que mais tivesse para fazer com meus amigos, conhecidos, desconhecidos, e o resto que estivesse passando na calçada no momento. Mas é isso, agora vou descansar um pouco porque a bebedeira mais os pulos que dei foram demais para mim.
Veja se isso não parece divertido. E eu lá no teatro perdendo grande parte dessa festa só para ficar vendo um maluco, que se não fosse o pessoal da produção segurar o sujeito, ele certamente subiria no piano, feito um doidivanas, e sapatearia nele, feito um louco varrido. Mas tudo bem, já passou.
Oiram Bourges 16:14 [+]
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Sábado, Fevereiro 18, 2006
Com a cabeça atarraxada entre os ombros e largado na minha velha e encardida poltrona pus-me a assistir aos horríveis programas na televisão. Como não sabia o que ver fiquei na inércia, apenas observando a movimentação de imagens, e, logicamente, com o controle remoto nas mãos trocando de quando em quando de canal. Porque mesmo com o olhar perdido e sem prestar atenção em nada do que passa no televisor acaba cansando se ficar em apenas um único canal. Então, lá pelas tantas acabei por encontrar uma coisa que talvez fosse menos chata. Concordo que foi tolice minha pensar assim, pois o tal programa era xarope, mas de certa forma fiquei me distraindo com ele mesmo porque tal coisa tinha lá seu lado irônico, e até engraçado em alguns momentos.
Person. 1: Onde está o pessoal daqui? Perguntou o sujeito com uma voz sinistra.
Person. 2: Hum? Que pessoal? Perguntou a pessoa que estava sentada numa cadeira velha enquanto coçava a parte de baixo de sua barriga.
Person. 1: Fez movimentos com as mãos sem saber qual pessoal era o que ele procurava, mas fez um sinal com a cabeça, projetando seu protuberante queixo inflamado por uma espinha para frente, em direção a uma outra pessoa que estava ao lado desta outra que sentada na cadeira velha coçava a barriga. Tal movimento era intimidatório, para que essa terceira pessoa desse uma resposta que lhe agradasse.
Person. 2: Então minha velha; diga alguma coisa para este moço... Sabe que pessoal é esse? Diga logo antes que ele fique irritado e faça explodir aquela espinha horrível em nós.
Person. 1: Diga logo mulher antes que eu faça o que este pançudo aí acabou de dizer. E tem mais... Se não disser o que quero saber vou, além de estourar minha espinha cavalar, trarei duas esquifes para cá, uma para cada um de vocês.
Person. 2: Ô mulher; diga logo porque nem estou querendo saber o que é esse tal de esquife. Disse isso enquanto se ajeitava na cadeira, pois algo o cutucava na bunda.
Person. 3: E por um acaso você sabe se eu quero saber o que é esse negócio, é? Mas antes que eu diga alguma coisa... Por um acaso você viu onde foi parar minha agulha de tricô meu velho?
Person. 2: Olha; na verdade não sei não, mas espere um pouquinho... Opa! Parece que a encontrei. Porém, apesar de conhecer muito pouco dessas coisas, ela está quebrada, digo, ela se quebrou há pouco, porque até cheguei a ouvir um som de coisa se quebrando... E o problema é que nem sei onde é que foi parar a outra parte. Disse assim a pessoa da cadeira enquanto enfiava uma das mãos na bunda por dentro das calças.
Person. 1: Assim não dá, porra! Venho aqui para pegar uns caras e vocês ficam aí, fazendo onda; empatando meu lado. Enquanto vocês ficam enrolando e quebrando agulhas de tricô, e fazendo sei lá mais o quê, eu fico aqui, em pé, cansando. Só por isso vou enfiar os dois, de uma vez só, dentro de uma única esquife apenas. Vão ver. Há, há, há e há! Gargalhou o sujeito forçadamente para que os outros se sentissem intimidados.
Porém, não consegui me agüentar. Senti a necessidade de trocar de canal. Aquilo estava muito, mas muito chato. Estava pior que novela mexicana. Bom, talvez estivesse a mesma coisa, sei lá. Só sei dizer que estava chato. Ninguém decidia nada. O sujeito que no começo parecia ser o malvadão não passava de um banana. E os outros que contracenavam com ele pareciam estar indiferentes aquilo tudo, e ainda por cima, quebrando agulhas de tricô. Assim não dá, preciso fazer outra coisa para ocupar a minha mente. Pensei isso enquanto cutucava o dedão do pé com um palito de dentes para tirar uma sujeirinha que tinha se alojado num dos cantos da unha. Que depois acabei descobrindo que era um resto de cocô do cachorro que pisei horas mais cedo. Mas tudo bem, eu esfreguei o palito com bosta nas costas do gato... Ele nem liga mesmo.
Nós perdemos um tempão assistindo porcarias na tv, e quando percebemos a cagada que fizemos já é tarde.
Oiram Bourges 16:08 [+]
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Domingo, Fevereiro 12, 2006
Sempre que possível procuro me especializar em alguma coisa, qualquer coisa, ou pelo menos conhecer. Só para ter o quê falar com o pessoal, mas isso depois que consigo me encontrar neste bairro, para daí, bem mais tarde, encontrá-los, ou no café, ou no Odil, ou em qualquer outra localidade. Bom, o assunto do qual resolvi tratar não tem nada haver com o que comecei a contar. A idéia original partiu das várias formas de se alimentar que possuímos aqui em casa... Não! Espere um pouco. Era outra coisa. Na verdade começou com um sintoma, um sinal da idade que está levemente avançada, mas muito pouco avançada também. Coisa que, aliás, nem merecia ser tratado neste momento, mas agora que comecei a falar vou contar logo de uma vez.
Porém, antes que eu me perca novamente no assunto, deixe-me dar o motivo pelo qual estou contando esta bobagem camuflada de assunto sério. Dia desses estava eu vendo a Olga fazendo um negócio para comer. Para ela comer. Coisa da qual não fazia parte de meus planos, em se tratando de alimentação. Mas como as mulheres têm um jeito todo especial de nos persuadir acabei comendo a coisa, mesmo que contra gosto. Na segunda colherada percebi que era um mingau de alho. Horrível por sinal. Não! Não estava mal feito o mingau, na verdade tenho asco desta coisa. Mas o jeito especial da Olga me convenceu a comer aquela nojeira algumas vezes mais. Bom, só sei que lá pelas tantas, além de ficar com o estômago mareado pelo gosto do alimento, senti, a princípio, um de meus dentes ricochetear em minha boca, e depois pular para fora de seu receptáculo original como se estivesse feliz pela liberdade conquistada. Que tolo, de pensar assim.
E veja só como são as coisas; mesmo odiando aquela porcaria com alho e sem um dente eu ainda sorria e tinha a petulância de dizer que estava gostando, mesmo que as evidências denunciassem o contrário. E todo este sofrimento para convencê-la de que tudo estava bem tinha um único propósito: de que ela fizesse um pudim de leite para mim. Coisa que faz tempo que não vejo em casa. Posso dizer com segurança que depois que nos mudamos para este prédio nunca mais comi um doce deste tipo. Que maldade da parte dela, me privar desta iguaria. Pelo menos penso que seja. Então, continuando; chegou um momento que não consegui disfarçar toda a minha irritabilidade, mesmo que isso comprometesse a feitura do meu pudim. Fiz voar pela janela a fora o conjunto: prato e mingau. Obviamente que as coisas não ficaram boas para mim em nenhum sentido. Levei uma bronca por ter jogado pela janela toda a bagulhada, e por ter jogado fora a comida que ela fez. Segundo a Olga, poderia ter avisado que não queria simplesmente. Mas como a conheço muito bem ficaria magoada com minha atitude exclusiva quanto a este fétido pseudo-alimento.
Contudo, eu continuava sem o maldito dente, e tinha de consertá-lo o quanto antes, pois isto estava comprometendo meu sorriso. Se bem que nem costumo sorrir, e certamente as pessoas estranhariam se eu sorrisse, mas não podia abrir minha boca porque revelaria um vácuo dentário. Se bem que... Tanto faz. Poderia ser que isso até se tornasse um charme... Uma marca registrada minha. Sei lá. Tudo é possível nesta vida. Bom, mas eu pensei melhor e decidi ir ao tal dentista para consertar a arcada dentária. Nunca se sabe se isto já não foi um aviso dos outros dentes, que, entre um planejamento maluco e outro, já estariam querendo se rebelar contra a boca, maldita por sinal, e cairiam fora dela assim, sem mais nem menos. Não sei quanto a vocês, mas prefiro ir ao dentista ver como é que posso consertar a bocarra. E depois deste episódio me dedicarei mais e melhor às escovações. Sem dentes não somos nada, quero dizer, até somos, mas banguelas. Agora você vem perguntar o que aconteceu com o prato que atirei para fora não é mesmo? Responderei então. Os vizinhos já estão acostumados com as coisas que arremessam no terreno do prédio deles. Nem ligam mais. Satisfeito com a resposta? Ótimo! Porque mesmo que não tivesse gostado não teria outra para substituir esta.
Mesmo sem razão para abrir a boca, eu abri. Mesmo sem razão para sorrir, eu sorri. E, mesmo sem razão para falar, eu falei... bosta, logicamente, mas falei.
Oiram Bourges 19:42 [+]
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Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006
Ultimamente não tenho feito outra coisa senão reclamar da vida e coisa e tal. Decidido por fazer algo diferente resolvi comprar alguns livros para assim poder ampliar meu leque literário. Além do quê, meu estômago começou a dar sinais de ardência... Dor, sei lá, durante a semana que passou. Casos que decidi dar um tempo para as bebidas. Tudo bem, isso é até válido. Mas quanto à parada repentina, é momentânea, sei disso, e creio que todos vocês também sabem disso, em breve voltarei com força total para esta atividade. Porém, agora, deixe-me continuar com minha narração.
Depois de horas parecendo uma palmeira plantada no meio de uma livraria consegui, e ainda meio que sem ter certeza se era isso mesmo que queria, comprar três livros para uma semana cultural regada com livros. E só os livros serviriam para incrementar meus dias. Pelo menos desta semana. Então, feliz com minha aquisição resolvi mostrar meus novos passa-tempos à Olga, para ver o que ela falava, talvez esperando uma segunda opinião. Ou ainda, quem sabe, esperando um elogio ou qualquer outra bobagem que enaltecesse meus atos insólitos. Só por desencargo de consciência. No entanto, teria uma outra coisa a se fazer antes de começar com a leitura desenfreada, comprar uma lâmpada mais forte para colocar na luminária da cabeceira da cama. Coisa que também já tinha feito depois da compra dos livros. Sujeito prevenido eu, heim! Também penso assim.
Contudo, veja só você, sinto dificuldades no momento de me concentrar. Ater-me à leitura requer um árduo exercício de esquecimento do mundo exterior. Um problema para mim, no meu ponto de vista, pois assim que decidi me aninhar na cama e me dedicar à leitura a um dos livros de Hemingway o telefone tocou. Não atendi, claro. Depois veio o gato pular em meus pés, e, de imediato levou uma pesada que o fez parar longe. Em seguida veio o cachorro, todo lambão, me perturbar. Mas que também foi fácil de tirá-lo da cama, e com o próprio livro desferi uma porrada na cabeça do bicho, que saiu assustado para debaixo do sofá... Assim penso.
Quando pensei ter dominado meus devaneios em assuntos que nada tinham haver com a leitura, que até hoje nem sei o que o livro conta, o pessoal do apartamento vizinho ao meu começou falar alto, batucar no fogão ou coisa assim. Pronto, pensei. Estou aqui, novamente, com os olhos perdidos em cima do livro. Daí resolvi que iria esperar todos dormirem para que eu pudesse ler o raio do livro. Muito bem. O problema foi que quando eles pararam com a algazarra já passava das duas da madrugada. Meus olhos, que estavam lacrimejando, não enxergava mais nada além do travesseiro e do lençol, que faziam movimentos semelhantes às ondas do mar, que, de maneira hipnotizante me atraiu para uma ligeira nadadinha. Obviamente que não recusei a tais apelos, pois já até conseguia ver uma sereia rebolando aquela bunda cheia de escamas sobre meu colchão.
De manhã, ainda tonto e molhado de suor, acordei todo embolado no lençol e segurando o livro com as duas mãos. Nem me lembro o que sonhei, e também nem faço questão disso. Mas tenho a impressão de que estava bom. Todavia, não havia nem começado a ler o livro, e isso porque os vizinhos não me deixaram exercitar o prazer da leitura. Vizinhos estes que são proprietários de um jornal... Melhor dizendo; um pasquim, que almeja ser um jornal um dia. Muito cultos que são, assistem aos telejornais e ficam satisfeitos com as notícias que recebem. Depois tecem um comentário estúpido, dizem amém para o que ouviram e depois dão boa noite para o jornalista e vão dormir. E durante esta besteirada toda ficam com o som do aparelho de tv alto e batucando pelas paredes de seu apartamento, e que toda essa bagunça acaba passando para meu apartamento. Depois dizem que eu é que sou chato ou coisa parecida.
Quanto ao livro... Vejamos; eu ainda não comecei a ler, nenhum dos três. Primeiro porque sou desatento, perco-me facilmente na leitura. Segundo porque os bichos aqui de casa insistem, digo, adoram me atrapalhar, faça o que for fazer tem sempre um animal desses querendo me atrapalhar. Bom, pelo menos ainda gostam de mim, mesmo que seja do jeito deles. E para finalizar, o terceiro item desta lista estúpida, porque meus detestáveis vizinhos não me deram trégua uma só noite desta semana. Ficaram tecendo seus comentários nada pertinentes aliados às notícias quase nada inteligentes da tv. Pensando bem, até que eles se combinam. Um pasquim que observa o jornalista da noite dar sua notícia, depois eles, os donos deste maldito pasquim elaboram suas idéias um tanto quanto reacionárias, e depois põe a notícia como eles gostam de dar; cheio de opiniões próprias. E daí, no outro dia os leitores deste jornaleco irão ler e certamente irão dizer: "Mas bah, tchê! Tu viu esta?" Ah! Este meu atual bairro me deixa com os cabelos em pé e o estômago ardendo.
Nos livros é que encontro a maneira para manter minha memória funcionando deste jeito que todos vocês já conhecem. Infelizmente não tenho a capacidade de imersão total neste mundo de leituras, me perco facilmente disso tudo quando escuto ruídos. Principalmente quando esses ruídos vêm do vizinho.
Oiram Bourges 15:38 [+]
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Sábado, Janeiro 28, 2006
Lá estava eu, pronto, mesmo não querendo estar, para ir ao supermercado. Droga! Odeio mercados, ainda mais quando são super. Mesma coisa quando escuto alguém dizer que tal coisa é super bonito de se olhar, ou super caro. Isso já me faz lembrar de mercados. Creio até que pessoas que adoram falar "super" adoram também ir a mercados. Por isso são chamados supermercados. E tal teoria barata me faz pensar que pessoas que já adoravam falar a palavra super antes mesmo dela existir foram os criadores deste tipo de comércio... Sei lá. É tudo suposição, e tola por sinal. Mas de uma coisa tenho certeza, tanto este tipo de comércio quanto a própria palavra são horríveis.
No entanto, não tinha como escapar deste martírio, pois, sempre sou convocado, mesmo que a contra gosto, a participar desta atividade grotesca e tão cheia de vácuos emocionais. Mas o que poderia fazer para aliviar meu corpo e minha mente desta agressão? Nada oras. Então o negócio era relaxar e tentar esquecer o que viria pela minha frente. E nada melhor que uma seleção de boas músicas - que uma rádio nova aí estava tocando - para distrair meus pensamentos escorregadios e propensos a induzir meu corpo, que se induz facilmente, a cometer barbaridades pelos ambientes variados afora. Mas tudo isso, até então, estava servindo para esperar minha senhora a se aprontar com seus quilos de maquiagem, e mais, penteados estrambólicos, e ainda, decidir qual o par de brincos viria a calhar com a roupa adequada para a estúpida prática das compras desenfreadas no estúpido comércio chamado: mercado.
Pois bem; depois de tudo decidido era hora de se perder momentaneamente no tal mercado. Por sorte, minha... Sempre minha, a sobrinha iria ajudar a Olga nas compras. Ótimo! Pensei. Assim poderei fazer qualquer outra coisa que não seja empurrar carrinho. Continuei pensando. Porém, de tanto pensar em fazer isso ou aquilo, ou mesmo não fazer nada, acabei me perdendo do caminho das compras. E o pior de tudo que não foi de propósito. Foi um típico caso de acaso. Coisa perfeitamente aceitável, se partido de mim é claro.
Lá pelas tantas, quando todas aquelas coisas já não faziam a menor diferença para mim, como se algum dia tais coisas fizessem alguma diferença, resolvi procurar um banco ou cadeira para me sentar. Sabe, estava começando a ficar tudo uma bosta só. Eu cansado, com dores pelo corpo todo e louco por algum doce para comer, além é claro, de uma bebidinha, pois com o calor que fazia, mais a aglomeração desmedida de pessoas em um mesmo lugar estava me deixando com um mal-humor daqueles. Então, fora o banco ou a cadeira para sentar, não tinha mais nada o que fazer. A não ser que, logicamente, ficasse apenas a olhar as bundinhas das meninas que trabalham no infeliz do mercado enquanto liquidava com a lata da cerveja mais um pacote de bolachas.
Contudo, era hora de ir embora. Coisa que já estava em tempo de acontecer. Na verdade eu queria sair daquele lugar a qualquer custo porque um engraxate maldito já estava de olho em meus sapatos. Eu podia ver isso, eu podia sentir isso em sua respiração suada e ofegante que exalava à graxa. E, felizmente, assim que vi a Olga e a sobrinha pagando a bagulhada no caixa fiquei em pé como se ainda fosse um militar na ativa, parecia até um mastro com uma bandeira em dia de ventania, e não menos louco para cair fora daquele lugar horripilante... Como é? Quer saber como é um mastro com uma bandeira em dia de ventania? Oras, só me faltava esta. Quer saber como é isto? Então procure um negócio desses e fique observando a porra toda balançar com o vento. E tem mais uma coisa: não me encha o saco porque não estou muito bom para conversa mole. Então ficamos assim; até a próxima semana.
Quando estou no meu canto não gosto que ninguém chegue perto de mim... muito menos engraxates, pois eles me aborrecem profundamente.
Oiram Bourges 00:05 [+]
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Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
Nesses dias da semana calor excessivo imperou por estes lados do mundo. Pensei que fosse virar uma geléia pelo calor fora do comum. Juro que cheguei a me sentir como uma recepcionista de alguma repartição pública ou de algum hospital público de tão mole que fiquei. Com meus olhos no fundo e a boca pendendo para um lado qualquer do rosto eu ia me arrastando pelas ruas quase que por instinto. Simplesmente porque não queria, digo, não conseguia ficar dentro de casa. De tão abafado que estava lá. Para você não pensar que estou exagerando; num dia desses aí eu cheguei em casa tombando de cansado, e nem era por caminhar muito ou coisa parecida, pois fiquei embaixo de uma sombra de marquise de um bar por quase toda a tarde. Continuando; então cheguei e me deparei com uma cena bizarra, o vira-lata com a bunda virada para a janela para ver se refrescava um pouco. O gato tentando abrir a geladeira com a ajuda de duas cadeiras. Juro que até me deu vontade de ver como ele faria isso, mas estava sem paciência para tal coisa. Agora o que mais me impressionou foi um bando de insetos sentados na beira da janela da área de serviço mamando, entre um gritinho e outro de felicidade, em uma lata de cerveja que eles próprios carregaram. Não sei como isso é possível. Mas que vi, ah! Isso eu vi. E também posso garantir que eu não estava bêbado, mesmo que as evidências fossem claras de que eu estivesse.
Bom, de qualquer forma, o calor estava tão grande nesses últimos dias que alguns cozinheiros malucos de alguns restaurantes também malucos resolveram, como sendo uma maneira maluca de incrementar ainda mais seus pratos malucos, preparar a comida nas calçadas em frente aos estabelecimentos. Logicamente que a idéia não foi assim tão boa quanto eles pensavam, mas valeu a tentativa... Para eles, claro. Porque para mim, nem de graça comeria uma comida daquelas feita em um chão onde todos pisam, cospem, mijam ou sei lá mais o quê. Sei... Agora você quer saber o que fiz quando vi os insetos bebericando minha cerveja não é mesmo? Oras! Fiz o óbvio; deixei cair um gole onde eles estavam para satisfazer essas criaturas, que, mesmo sabendo que são umas pragas dentro de nossos lares, ainda têm senso de humor e bom gosto... Talvez não tenha assim tão bom gosto quanto penso, mas de qualquer forma tentei satisfazer a vontade dos bichinhos. Porém, depois que derramei um pouco da cerveja acabei afogando todos eles. Mas também, quem foi que mandou ficar ali, de bobeira. Se fossem espertos de verdade levariam a lata da cerveja para um lugar mais seguro. Então, me sentei na minha horripilante e fedorenta poltrona, mas não sem antes pegar mais uma lata de cerveja, pois aquela dos mosquitos já estava acabando. Ah, que calor! Pensando bem, seria melhor pegar mais uma lata de cerveja... Sei que já peguei mais uma, mas o calor estava de lascar. E além do mais era só por garantia, nem iria tomar esta outra cerveja... Está bem, eu menti, tomei tudo sim. Até a próxima.
Aqui, como disse há pouco, está um dos insetos bêbados que estava matando minha cerveja. E depois de ficar doidão resolveu comer umas folhas para quebrar o efeito do álcool, talvez. Sei lá, que entendo eu de insetos oras.
Oiram Bourges 23:26 [+]
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Segunda-feira, Janeiro 16, 2006
Puto da cara acordei por esses dias, e veja se não tenho razão; após uma pequena, mas maravilhosa temporada que passei na Ilha do Mel aproveitando o que a natureza tem de melhor, chego no bairro onde moro e vejo tudo como estava antes; barulhos, gritos, som alto e peidos barulhentos... Êpa! Este é meu. Bom, esqueçamos os peidos barulhentos. Continuemos então. E para melhor situar vocês neste contexto quero narrar como foi uma de minhas manhãs. Primeiro de tudo foi o incômodo de rolar na cama grudado nos lençóis da cama, devido ao calor excessivo logo de manhã cedo. E depois, acordar oficialmente, com um carro velho que anunciava as várias qualidades de sonho que tinha para vender. Além das várias maneiras de se efetuar a tal venda.
Então, ainda deitado e envolvido em lençóis fiquei prestando atenção na voz cansada e aborrecida que saía dos autofalantes. Objetos estes que estavam localizados acima do carro, que também estava cansado e aborrecido por estar vendendo alimentos ao invés de estar na praia carregando a mulherada. Bom, mas a voz dizia assim:
"Atenção, atenção! É o carro do sonho que está passando. Temos sonho com recheio de nata, de creme, de creme de leite, creme de avelãs, creme de aspargos e de creme de crème. Temos ainda, se preferir, com recheio de morango, de chocolate, de chocolate suíço, belga, e de chocolate aerado. Além é claro do tradicional doce de leite, que poderá ser acompanhado por um queijo Minas para dar um toque especial. Opa, opa! Mas o queijo Minas só acompanha o sonho com recheio de goiabada cascão. Há, há! E veja só que facilidades existem para quem quiser adquirir estas iguarias; você poderá pagar com todos os tipos de cartões de crédito, além de cheques pré-datados. Aproveitem! Aproveitem todos, e logo também, pois o carro está desde cedo nas ruas, e isso quer dizer que não quero nem saber se esses doces começarem a derreter devido a este sol do cassete que já está me queimando aqui dentro deste carro de merda".
Com essas palavras fiquei tomado por uma vontade quase infantil de querer comprar umas coisas dessas para comer, mas estava um tanto quanto difícil para efetuar a compra daqui de cima. Então saí na janela; gritei, farfalhei, esgoelei-me até ficar sem voz. E numa tentativa desesperadora arremessei um pé de chinelo lá para baixo na esperança de chamar a atenção do vendedor. Porém, tive de tomar cuidado para não acertar o carro em cheio, este ato poderia ser danoso à lataria do automóvel, isto certamente poderia desmanchá-la por completo. No entanto, ao arremessar o tal chinelo eu errei feio. Joguei-o tão longe que foi parar dentro de um outro apartamento do outro lado da rua. Penso que deveria ter filmado isso até, acredito na hipótese de que não é todo dia que alguém faz este tipo de coisa.
Toda via, isso não tinha me intimidado. Eu ainda continuava desesperado por um daqueles doces. E estava disposto a descer, se fosse realmente necessário, até lá para comprar uns sonhos. Mas veja só que ironia; no apartamento que eu acertei o chinelo apareceu um gordão na janela, semi-nu, com cara de furioso segurando o calçado em uma das mãos e gritando algo que não consegui entender. E pensando bem, nem fiz questão de entender, pois, pela cara e a aparência do sujeito certamente não seriam coisas boas. Olha; de certa forma foi muito bom ter acontecido isso. No bom da verdade nem estava com vontade de comprar essas coisas mesmo. Porque lembrei que não gosto de sonhos. E depois porque o chinelo, pelo que pude perceber, estava com marcas de bosta e mijo de gato. Coisas fedidas por sinal. Sendo que também joguei o outro pé, mas aí foi pelo modo mais conhecido: no lixo. Mas tudo bem.
Oiram Bourges 16:29 [+]
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Terça-feira, Janeiro 10, 2006
Depois de toda essa baderna de início de ano resolvi carregar a todos da minha família para um lugar onde tivéssemos tranqüilidade. A praia seria um ótimo lugar. Sabe, sempre carrego eles para o litoral... Quando estou de boa vontade, claro. Então, munidos das velhas tralhas tradicionais para essas localidades partimos, socados, no velho fusquinha, rumo à praia de... Qualquer praia servia, pois eu queria esquecer de todos esses vizinhos que nem conheço ainda, mais aqueles meus conhecidos. Afinal de contas é preciso dar um descanso para a situação de vez em quando. E, amontoados com tudo quanto é tipo de porcaria no carro seguimos caminho.
Depois de algumas horas queimando o braço e o pescoço no sol, mais uma sacola que vinha equilibrando em cima de minha cabeça, de tão apertada que estava a situação dentro do fusca, decidi parar no primeiro lugar que parecia ser agradável. Mas isso também depois de ficar perdido por um tempo. Então paramos diante da barca que nos levaria à Ilha do Mel. Tudo bem, sei que estava fedendo alguma coisa naquilo tudo, mas parecia ser muito bom depois que saísse daquele lugar de embarque. Por sorte minha escolha foi acertada. Isso queria dizer que minha intuição ainda funcionava, e meus sentidos, que nunca soube defini-los de maneira adequada, ainda estavam lá. Mesmo que um pouco atrofiados.
Pois bem, meia hora mais tarde estava nós, procurando algum lugar para ficarmos. E, entre tantas pousadas existentes ficamos numa lá que nos deixou aterrorizados pela desorganização existente. Além das brigas que volta e meia aconteciam. Mas como fomos com a intenção de nos divertir quase não ficamos naquele lugar abominável. A prova do que estou falando pode ser percebida facilmente em meu semblante magro, por falta dos freqüentes quitutes que estava acostumado a comer, e esturricado pelo sol excessivo que não me deixava em paz um só instante. Por minha felicidade não fui privado das minhas latas de cerveja. Coisa que era fácil de ser encontrada por lá.
Bom, lá pelas tantas, após uns dias andando ao léu, ora no meio do mato e ora tropeçando pelas areias das praias, e com a mente arrotando cerveja com pepino e camarão com gosto de qualquer outra coisa que não fosse camarão, resolvi sentar na água, no rasinho, para pensar um pouco na vida e coisa e tal. Porém, creio que nem preciso dizer que acabei adormecendo enquanto observava umas ilhas no meio do mar. Mas só percebi que tinha dormido depois que acordei num vai e vem constante de... Não! Não era só das ondas que iam e vinham sem parar, era de mim mesmo também. Que rolava para o fundo e para o raso em movimentos descontrolados. E isso aconteceu por um bom tempo, pois não tinha ninguém lá além de mim.
Minha sorte, por incrível que pareça, e acreditem nela ou não, foi aparecer um bando de urubus no local. Como eles pensaram que eu era um bicho morto vieram para me devorar. Então eles me puxaram para a areia para melhor beliscar minha pele levemente flácida. Porém, o que não eles não esperavam aconteceu, eu me levantei peguei um punhado de areia nas mãos e taquei em todos esses malditos animais agourentos. E depois desta história fantástica corri o máximo que pude para perto da Olga e das crianças. Mas isso claro, entre um tombo e outro, porque minhas pernas não têm tanta firmeza assim a ponto de correr pela areia fofa sem cair um único tombo sequer. E depois disso tudo fiquei mais calmo. Andei apenas por onde tinha gente circulando, e ainda pela sombra, pois não queria me queimar. Mas, assim mesmo, não deixei de tomar minhas cervejas. Êta vida boa essa.
Aqui, enquanto eu rolava de um lado para outro, eu vi, mesmo não acreditando no que via, essas moças fazendo coisas de moças, porém, no fundo do mar. Ai, ai, essas bebedeiras ainda vão dar o que falar.
Oiram Bourges 15:53 [+]
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Segunda-feira, Janeiro 02, 2006
Todo o começo de ano é bacana, e ao mesmo a mesma encheção de saco. Encontramos sempre as mesmas pessoas e comemos sempre as mesmas coisas, e o pior, coisas que não condizem com a época do ano para nós brasileiros. Mas não é disso que quero tratar agora. Com tantas mesmas coisas acontecendo, e ao mesmo tempo, não acontecendo numa época só... Hum... Teria de acontecer algo novo... Digo isso todo ano também. Bosta. É sempre uma bosta tudo isso, quase nada de novo é possível ter nesta data, mas é melhor prosseguir com a narrativa, porque senão me aborreço de uma vez e não conto mais nada.
Veja; creio que me enganei sobre uma coisa. Para este ano tem coisas novas acontecendo sim. Primeiro porque me mudei de bairro, e que meses morando aqui ainda não consegui me achar por completo. Vivo me perdendo pelas ruas. Depois acabei enco trando o Coronel Beleléu... Sei que não foram lá grandes coisas tudo que contei até agora, mas hei de melhorar daqui por diante. Lá pelas tantas comprei um dito computador. Sei também que a retrospectiva do meu ano está um tanto chocha, mas até agora foi o melhor que consegui. Sendo assim, passamos adiante.
Todos de casa, para variar, estavam animados, inclusive o cachorro e o gato. Bom, este último não estava tão alegre assim porque se encontrava com diarréia. Era possível ver em sua cara chocha que o dia para ele também estava chocho. Mas também querem o quê? Deram aquele monte de coisas do Natal para os bichos comerem, e aí, deu no que deu. Por que o cachorro não passou mal? Oras! Porque ele é acostumado a comer de tudo, o bicho é lambão demais. Mas tudo bem. Prossigamos então; com a casa limpa e perfumada, no duplo sentido, pois a onde ia o gato um cheiro estranho surgia. Mas isso também poderia ser muito bem por conta de meu cunhado, aquele pseudo-inglês. Durante todo o ano ele se comporta como um britânico, mas quando vêm as festas de fim de ano ele desconta tudo o que não fez.
Então estavam lá em casa para a passagem de ano a dupla esquisita, o Azambuja e sua esposa, que ambos conseguem atormentar a todos com seus atos irritantes e incessantes de perfeccionismos, o Pereirinha com sua nova namorada e o filho espoleta, que não pára um só instante, o Adalberto e seu fantástico rádio de ondas longas, ondas médias, ondas curtas e almost waves, que nos brindou com uma seção de czardas húngaras, o Beleléu e suas vontades incontroláveis de querer tirar vantagem em tudo, minha irmã e seu marido naturalmente gaseificado, a Olga fazendo milhões de doces, salgados, além das coisas moles, duras, azedas, amargas, líquidas, gasosas, grudentas e outras inutilidades que ninguém quer saber de comer, os netos que sempre não fazem nada, e a minha linda sobrinha que vai no embalo deles e acaba não fazendo nada também. Ah, claro, o cachorro lambão e o gato esguichando merda para tudo quanto é lado. Quanto a minha filha... Estava tentando tirar meu genro de uma delegacia qualquer no interior do Paraguai. E logicamente eu, acompanhado de minha barriga, minha fiel companheira.
Quando deu meia-noite todo mundo quis subir na mesa pra festejar, e aquela besteirada toda. Quase afundamos a mesa e o prédio inteiro com esta ação. A vizinha do andar de baixo e o vizinho de baixo desta vizinha ligaram para reclamar da zona que estávamos fazendo, pois eles não conseguiam ouvir a maldita contagem regressiva naqueles estúpidos programas de tv, e também não conseguiam prestar atenção naquela imbecil chuva de fogos na beira da praia. Não contentes com os telefonemas resolveram bater à minha porta. Todos, eu disse todos eles, ficaram de prontidão na frente da minha porta. Porém, assim que abri a porta para atender essa gente toda caíram fora rapidinho. O aroma que exalava da sala onde estávamos, por causa do gato e sua diarréia, meu cunhado que tira essas épocas para aliviar sua barriga, e falando em barriga... A minha também quis se aliviar naquele momento. Sendo assim, todos, eu disse todos, que estavam ali fora se mandaram. Os de dentro de casa não fizeram nada porque já estavam acostumados ao cheiro.
Então, depois de beberem e comerem bastante os convidados e auto-convidados foram deixando o apartamento em direção às suas casas. Pelo menos é assim que penso. Bom, deixe-me ver, o Azambuja certamente iria para casa, mas se bem conheço ele provavelmente deixou que sua esposa dirigisse o carro enquanto voltaria para casa a pé contanto os postes, ou arrumando as garrafas que foram jogadas nas ruas de uma forma que facilitasse os garis do caminhão de lixo. O Pereirinha deixaria seu filho em casa para dar uns catos na nova namorada em algum outro lugar mais reservado. Este sim sabe aproveitar os momentos da vida. O Adalberto voltaria com seu rádio desligado para casa, pois o motorista do ônibus não permite que ele viaje com um rádio daqueles ligado e incomodando os outros passageiros, mesmo que dentro do ônibus só esteja ele e o motorista apenas. Já o Beleléu pode dar uma corrida assim que sair do meu prédio e pronto, lá estará ele tentando passar a conversa no primeiro otário que encontrar no boteco da esquina.
Agora, eu e minha família ficamos em casa, assistindo aquelas bobagens que passa na televisão. Com pouca animação, mas também sem vontade de ir dormir. Porque os pensamentos do pessoal daqui são os mesmos: "pra quê dormir"? Bom, enquanto isso, o computador, que ficou ligado desde dois dias antes do reveillon até agora, só passa filme de sacanagem, mas está difícil o acesso até a máquina, pois o gato e sua implacável diarréia não pára de lambuzar as paredes, os pés das cadeiras e das mesas, os sapatos e os chinelos com sua merda. Ô gato miserável. Se ele continuar deste jeito vou ter que largar o bicho num veterinário qualquer pra dar um trato nele.
Para vocês terem uma idéia de como estava a situação do bicho, heis aqui uma imagem do nosso gatinho. Sem forças, sem ânimos, resumindo; sem nada de bom para oferecer neste começo de ano.
Oiram Bourges 14:29 [+]
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Sábado, Dezembro 17, 2005
Esta semana resolvi me aquietar em casa, ficar em frente ao televisor, e ao mesmo tempo, tentar desenvolver a prática da paciência. Claro que para alcançar a almejada paciência, coisa realmente difícil para mim, pois isso é quase uma dádiva, no meu ponto de vista, teria de estar munido com alguma coisa que me distraísse nos momentos de intervalos comerciais, ou mesmo na hora do programa, como por exemplo: uma, ou duas, maravilhosas latas de cerveja. Talvez essas coisas bastassem para amortecer o cérebro. Sabe; querer me dedicar inteiramente a essas programações bizarras sem apoio técnico é quase impossível. Ainda mais agora, que é Natal.
Bom, então começou um programa qualquer numa emissora também qualquer, e sabe, como já imaginava o tal passa-tempo não tinha nada de divertido, pelo menos para mim. Apesar de a apresentadora e suas convidadas ensinarem como fazer deliciosos pratos, saladas e sobremesas não estava interessado em assistir aquela chatice. Casos que fiquei ali, sentado, como se alguma coisa boa estivesse para acontecer. Porém, a sensação não passou de bobeira minha, pois só aparecia, entre um bloco do programa e outro, durante os intervalos comerciais, Papai Noel pra cá e Papai Noel pra lá. Um porre! Aliás, todo final de ano é um porre. Mas continuei ali, sentado. No entanto, resolvi pegar o rádio do Adalberto que ainda estava em casa para ouvir alguma coisa. Talvez, ou certamente, conseguisse diversão de verdade.
Enquanto ouvia um tal de Paolo Conte eu coçava minha barriga na maior paz do mundo, e ainda, tomando minhas cervejinhas. Lá pelas tantas eu e a minha barriga dormimos. E estávamos sozinhos em casa. Ninguém quis ficar comigo neste dia chato de Natal. Quero dizer, eu é que não quis sair com o pessoal para a casa não sei de quem. São muitos chatos... Todos eles. Então preferi ficar e me divertir sozinho, ou pelo menos, se não fosse me divertir ficaria com a mente e a barriga tranqüila no conforto do meu lar, sem precisar me estressar com pessoas que querem puxar meu saco mesmo sabendo que eu não gosto delas, e vice-versa.
Lá pelas tantas, depois que acordei, vi um sujeito gordo despencando de um negócio no céu e caindo no terraço de um prédio vizinho. O tal Paolo Conte tinha cansado de cantar no rádio. Já era tarde da noite, mas eu e minha barriga estávamos sem sono e sentados na poltrona que cheira a cerveja, a peido e a substâncias desconhecidas. Quero dizer, até são conhecidas, mas quero fazer de conta que não sei de nada, senão fico nervoso de estar sentado ali. Continuando; de repente o mesmo gordo começou acenar para cima e gritar algo também. Confesso que aquilo me chamou a atenção, pois não é todo dia que alguém desce no topo de um prédio daquela maneira e depois fica gritando pra cima. Mas isso não era tudo, passados alguns segundos uma coisa veio em sua direção, do céu também, mas este negócio não caiu no prédio, veio voando... Sei que parece loucura isso tudo. Se por um acaso exagerei na cerveja? Lógico que não, eu realmente vi esta coisa acontecer.
Porém, uma coisa mais estranha aconteceu; na mesma hora que eu via aquilo acontecer no prédio vizinho, de um momento para outro não vi mais nada. Não, não foi a prova cabal de um estado total de embriaguez, nem parcial, mesmo porque já tinha passado o efeito das cervejas com o cheiro horrível que minha poltrona produz. Oras... Deixe-me continuar com esta merda. ... Ã... Então; ah sim, quando pensei que tivessem ido embora ele fez uma manobra estranha e bateu de lado no prédio onde moro, e isso fez tremer tudo, inclusive minhas pernas. Se falar que não estarei mentindo... É isso, fiquei com medo sim. Mas também já passou esta sensação boba. Porém só passou depois que o tal sujeito, depois que se espatifou na parede com sua coisa voadora, veio até minha janela e pediu para que eu abrisse.
A princípio pensei em não abrir. Na verdade não estava com vontade conversar com ninguém neste dia. Inclusive com tipos estranhos como este. Contudo, vendo que o cidadão tinha uma coisa... Uma caixa nas mãos, e ainda fazendo menção de que era para mim eu fiz um esforço e abri a janela. Pensando bem; não quis ser mal educado, pelo menos desta vez não. Quer dizer, nunca sou mal educado, sou apenas mal interpretado pelos outros que gostam de arreganhar a boca e mostrar os dentes para mostrar que estão felizes, e ainda dar tapinhas nas costas como ato de amizade. Na minha opinião isso é coisa de... Sei lá o quê. Pra finalizar; depois que recebi o presente eu agradeci, claro, e aí então fechei a janela. Sabe; queria voltar para minha poltrona. Já estava cansado de ficar olhando aquela bobajada toda pelos céus.
Mais tarde abri o embrulho para ver o que era. Não entendi o que era o tal presente, mas como ganhei, dane-se. Já o bilhetinho dizia que isso era coisa de Papai Noel. Tudo bem, pensei com minha barriga ainda estufada, porém, esvaziando gradativamente com os peidos expelidos sem controle. Provavelmente isto deve ser alguma brincadeira de algum parente ou algum amigo. Continuei pensando enquanto alisava minha barriga com uma lata vazia e levemente amassada por mim, que descuidadamente acabei por sentar em cima dela. Mas nem liguei, massageei minha barriga por mais alguns segundos e depois fui dormir com aquela lembrança sem par. Ah! Antes que me esqueça; Feliz Natal a todos.
Um sujeito como este deveria aprender a manejar melhor suas máquinas, senão corre o risco de cair e se machucar. Mas também se quiser o azar é dele.
Oiram Bourges 01:06 [+]
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Diabos! O telefone está tocando novamente. Será que ninguém vai atender isto? Pensei. Justamente agora que me acomodei na minha poltrona com uma garrafa de cerveja long neck e um copo... Que não me servirá para nada, pois pretendo tomar a cerveja na própria garrafa.
-- Diabos! O telefone está tocando novamente. Será que ninguém vai atender isto? Bradei para quem quisesse ouvir.
-- Pois então descole esta bunda mole de onde sentou e vá atender. Disse-me tranqüilamente a Olga.
-- Sendo assim... Azar! Acabei de sentar. Estou cansado. Falei assim para quem quisesse ouvir. Neste caso, a Olga. Contudo, o telefone não parou, e pelo jeito jamais iria parar de tocar.
-- Bosta! Pare de tocar! Assim que terminei de fazer meu pedido o aparelho parou de gritar. Aquilo, se continuasse desta maneira estouraria minha cabeça, ou fundiria meus miolos, ou as duas coisas juntas, ou, na pior das hipóteses, ficaria com dor de cabeça... Ah, deixa pra lá.
E quando estava pensando, após muitos cálculos de distância, velocidade e tempo, em pegar o controle remoto para ligar a televisão e ver que imbecil programa estaria sendo transmitindo a merda do telefone começou a tocar de novo. Diabos! Pensei. Vai começar esta porcaria a me incomodar novamente? Continuei pensando.
-- Olga! Atenda isto aqui antes que eu quebre, ou jogue pela janela, ou as duas coisas juntas.
-- Não precisa se incomodar, pois se quiser eu te quebro a cabeça e o teu corpo com este aparelho de telefone e ainda jogo você e esta merda que não pára de tocar juntos lá pra fora, e ainda, para completar, vou te ajeitar em cima daquele monte de papel higiênico usado que está queimando agora, tudo bem? Disse-me assim com todo o cuidado que tem para escolher as palavras.
-- Não precisa ser assim tão bruta, só apenas expus meu pensamento oras. Disse-lhe indignado.
Mulheres! Sempre tão incompreensíveis, pensei. Basta uma palavra que não lhes agradem para nos cortar em pedaços, destrinchar nossas mentes com pressões psicológicas, nos diminuir diante de outras pessoas através de palavrões, e ainda dilacerar nossas carnes sob o sol para que as moscas venham nos comer enquanto riem de nossas caras. E tanto as moscas quanto as mulheres vêm rir de nossas caras em uma hora como esta, continuei pensando. Mas tudo bem, procuro não dar atenção para esses discursos de feministas malucas. Também nem sei se isso é discurso de feminista, e também não quero nem saber. Não me interessa. De repente; o telefone está lá, se esgoelando novamente, e ninguém, eu disse, ninguém para atender. Eu? Não me sinto disposto para essas coisas. Sabe, todo final de ano me acaba de verdade.
No entanto, vendo que ninguém, eu disse, ninguém, se habilitava a atender este maldito eu resolvi ver quem estava chateando... Claro que muito à contra gosto, e ainda, puto da cara, pois não gosto de atender telefones. Ainda mais quando estou ocupado com nada para fazer. Realmente isto quebra minha concentração quase milenar de ocupar a mente com besteiras, com isso, certamente, não sobra tempo para fazer mais nada nesta época do ano. Com isso, evito perder meu tempo precioso com programas de auditório estúpidos, ou qualquer outro programa, também estúpido, que por acaso venha a surgir na tela do meu televisor. E eu, experiente que sou, procuro explorar ao máximo esta técnica, pois ajuda a passar esses dias infindáveis mais rápidos. Bom... Continuando, e para terminar também; atendi ao telefone impaciente com a mesma destreza que tenho para lavar meu rosto pela manhã, ou seja, nenhuma. Só sei que, depois de alguns minutos tentando escorregar minha mão pela mesinha para atender o aparelho caiu no chão, depois que resvalei meus dedos pela ridícula toalha cheia de bordados e puxei tudo para baixo. Aí então, quando finalmente consegui segurar firmemente o aparelho nas mãos e dizer "alô", a pessoa do outro lado da linha disse: "Oh, desculpe, foi engano". Maldita, pensei comigo. Então voltei para minha poltrona, sentei, soltei uns peidos e fiquei numa boa, enquanto xingava esta pessoa em pensamentos.
Telefone é uma coisa que me dá raiva, ainda mais quando me indigno atendê-lo e descubro que é engano.
Oiram Bourges 00:34 [+]
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Quinta-feira, Dezembro 08, 2005
Nesta semana, como já havia anunciado, fui ao bar do Odil para a segunda Baratona acompanhado do Pereirinha e daquele vigarista do Beleléu à tira colo. Bom, o Pereirinha porque realmente é amigo meu, e porque ele sabe que ônibus tomar. Agora esse Beleléu foi junto de oferecido, só porque me encontrou caminhando na rua em direção contrária dos carros. Então ele pensou que eu quisesse me suicidar, ou algo parecido. Vejam só que doido... Eu, pensar em suicídio, vê se pode uma coisa dessas. Mas ainda desconfio que aquilo foi desculpa para ficar na minha cola para ver no que ia dar. Bom, mas... Tudo bem, ele foi, mas nenhum de nós dois deu atenção a ele durante o trajeto.
Então, depois de um tempo no banco do ônibus minha bunda ficou doída, pois tinha momentos que sacolejava tanto que eu não conseguia ficar sentado em um único assento, ainda mais depois de uma freada do veículo, corri sentado pelos bancos por praticamente meio ônibus. Vi um cidadão perder a dentadura com a pancada que deu no cotovelo de um outro que estava em pé. Tive até vontade rir, mas precisava me preocupar em como não parar no colo de ninguém com esta freada brusca. O Pereirinha, ágil como sempre, se agarrou num dos canos e grudou no teto. Este é safo. Quanto ao Beleléu, caiu sentado no chão, e com isso rasgou as calças no fundilho. Mas também nem ligou para este pequeno detalhe. Creio que já esteja acostumado a passar por estas situações e ficar numa boa.
Continuando; depois que tudo isso aconteceu o veículo chegou no centro. Depois disso foi só caminhar umas quadras e pronto, chegamos no bar. Bom, a festa já estava acontecendo, mas procurei não beber muito além dos chopes estipulados, pois sei lá quem me levaria para casa, já que o Pereirinha sempre se enrosca com alguma mulher por aí, e com o tal Beleléu ainda tenho minhas reservas. Porém, assim que encontramos o resto da equipe (Azambuja e Adalberto) esqueci estas bobagens, e procurei separar meu espaço na fila para o ônibus que nos levaria aos bares pré-combinados. Uma coisa que mudou do ano passado para este foram os recipientes para o chope. No ano passado foram usados copos normais. Já este ano o beberrão, e ao mesmo tempo competidor, teve direito à garrafas vazias, que eram enchidas à medida que iam bebendo. Engenhoso, deu um aspecto de profissionalismo ao evento, pois quem via os participantes empunhando uma garrafa já imaginava que estava bebendo de verdade. Não que o copo não passe esta visão... Mas deu um charme especial.
Como eu vim treinando ao longo deste ano consegui uma certa resistência à bebida, com isso consegui superar o previsto para cada um que fez parte da festa. O quem tem de vantagem nisso? Na verdade não muita coisa, pois tomei tanto que nem a resistência foi capaz de impedir as loucuras características desses eventos etílicos. As quedas e os palavrões foram acontecendo naturalmente entre todos os participantes. E das quase cem pessoas do ônibus, os que menos estavam embriagados eram o motorista (ainda bem) e o Odil, que tentava entre suas caminhadas nervosas pelo veículo, e suas infindáveis contagens, tirar seu cavanhaque com um cortador de unhas. Olha, parece que ele não conseguiu arrancar seus pêlos faciais. De certa forma até foi bom, pois poderia se machucar com aquela porcaria na mão.
Agora de resto, fiasco total. Eu, de tempos em tempos tirava a cara para fora e vomitava. Não precisa ficar assustado com a situação, não me lembro de nenhuma vomitada em alguém ou em algum carro. Aliás, não me lembro de absolutamente de nada além de um pessoal se amontoando ora no meu colo, ora do meu lado, ora no chão, e ora acompanhando o Pereirinha em suas manobras radicais, que por sinal não queria saber de desgrudar do teto do ônibus. Agora, com o resto do pessoal que estava comigo não sei o que aconteceu. Também quer o quê? Se nem comigo sei direito dos fatos ocorridos. Mas, tudo bem. Talvez tenha sido melhor assim, pois normalmente as coisas, quando acontecem, não são lá das melhores. Sendo assim, hoje, ainda tonto com a bebedeira, e com dor de cabeça, estou sentado em minha poltrona um tanto manchada de... Não sei o quê, só procurando repousar. O dia de ontem não foi fácil. Mas, remédios servem justamente para isso, melhorar o dia seguinte. Porém, até agora não está resolvendo nada. Enfim... Depois vou ao Odil perguntar como foram as coisas.
Aqui, depois de uma incalculável quantia de cerveja consumida, encontrei um sujeito, triste, desanimado, e ainda pensando como é que poderia fazer para juntar este monte de garrafas vazias. Talvez fosse mais fácil se ficasse apenas com os copos, bastaria lavá-los o pronto, estariam novos e prontos para serem usados novamente. Mas, que se dane... azar o dele. Não sou eu quem vai juntar esta bagulhada toda.
Oiram Bourges 23:16 [+]
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Sábado, Dezembro 03, 2005
Vejam só vocês o que agora resolvi fazer esses dias; depois de querer me divertir semanas a fio por aí, mas sem sucesso, agora pude me dedicar a algo realmente importante, e ao mesmo tempo divertido. Como eu não tinha computador, só aquela máquina de escrever barulhenta que incomodava vizinhos, parentes, e a mim mesmo, decidi que seria prudente fazer uso das minhas economias, que por sinal eram poucas, e ficaram ainda mais ralas, para comprar um computador e ficar atualizado com o mundo. Além de eu mesmo poder escrever as coisas que todos vocês lêem semanalmente. Claro que para isso seria preciso ficar, também, conectado naquele sistema de comunicação chamado de... Internet... Isso, Internet.
Muito bem, o técnico veio e instalou o aparelho e a tal da Internet em casa. Que bom, pensei. Porém, pelos olhares dos netos, da sobrinha, da Olga e até dos bichos daqui não seria assim tão fácil de me desligar deles para me esbaldar na tecnologia. O que quis dizer foi o seguinte: provavelmente agora terei pessoas de dentro de casa me bajulando. Penso que talvez a diversão tenha de ser disputada entre a família. Neste caso, eu não quis dividir a novidade com ninguém. Mas para que isso acontecesse teria de haver uma manobra radical. Então, aproveitando a situação de que todos tiveram de sair de casa, eu carreguei, com uma certa dificuldade, o tal computador para meu quarto. Foi cansativo, mas alcancei meu objetivo: ficar tranqüilo no meu quarto sem ser incomodado por ninguém.
Bom, para ficar tudo mais animado levei algumas latas de cerveja para o quarto. Assim poderia fazer sei lá o que na máquina enquanto tomava minha bebida. Veja; foi difícil entender como fazer toda aquela coisa funcionar. Principalmente depois que levei a máquina para o quarto. No princípio, até o momento que o técnico terminou o trabalho, estava tudo bem certinho. Mas depois que baguncei tudo para transportar até meu cômodo para ficar tudo mais cômodo a coisa complicou. Talvez os cabos e fios não tenham ficado corretamente instalados, pelo menos no princípio. Porque depois de algum tempo arrancando algumas coisas daqui para pôr ali tudo se arrumou.
E perdido num mar de teclas eu fiquei por longos minutos, mas continuava lá, escrevendo e cutucando as tais teclas para ver no que dava. Lá pelas tantas apertei um botão qualquer que fez uma pequena gaveta se abrir. Então pensei: como minha cerveja está no chão, longe de meu alcance e suando pelas laterais irei colocá-la aqui. Desta maneira a terei perto de mim e ainda manterei o chão seco. Logicamente que na hora que for dormir, se não dormir de fato, tentarei ler o manual de instruções para saber para que serve esta gaveta. Na certa não é para colocar latas de cerveja, mas como não diz nada impedindo esta minha ação... Azar. Veja; até diz alguma coisa, mas não consigo enxergar direito o que está escrito, e pelo pouco que visualizo só tem números. Então, como não entendo nada disso... Azar.
Lá pelas tantas, todos, parece até uma coisa, mas todos chegaram ao mesmo tempo em casa. Por um lado foi até bom porque no momento em que entraram no quarto eu estava em pé na cadeira num canto, e o computador num outro. Eu? Não tenha dúvidas disso. Eu estava me preparando para tacar as latas naquela máquina estúpida que resolveu pifar, travar e gritar comigo. Mais uns segundos que eles resolvessem ficar fora de casa iriam encontrar um computador em pedaços em cima... Da mesa... Talvez no chão, ou talvez, no pior das hipóteses, lá embaixo, no terreno do lado onde alguns vizinhos costumam queimar papel higiênico usado. Tudo bem, vou resumir. Não me deixaram ficar mais como monopolizador da máquina depois do conserto. E quando eu quisesse usar teria que ter alguém de companhia para assistir as minhas ações. Isto é degradante para mim... Mas aceitei, pois conseguiram sintonizar umas rádios estrangeiras nesta tal de Internet. Agora não preciso emprestar mais o rádio do Adalberto. Se bem que gosto daquele rádio. Então, talvez continue emprestando sim. É isso. Mesmo porque é mais fácil de carregar.
Veja; existem tecnologias que não sabemos como funcionam... o computador é um típico exemplo do que acabei de dizer.
Oiram Bourges 22:22 [+]
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Sexta-feira, Novembro 25, 2005
Nesta semana que passou, como não tive nem muitas nem poucas coisas para fazer resolvi descobrir o que tem o bairro onde moro. Este é o tipo de atividade da qual me oferece um único resultado apenas, de que estarei perdido nesta aventura descabida em pouco tempo. Mas pelo menos, nas próximas vezes em que resolver fazer este tipo de coisa terei certeza de que, num futuro muito próximo, estarei perdido. Porém, não mais precisarei ficar desesperado me descabelando por aí, ou xingando todos que vêm em minha direção nas calçadas, pois ficarei calmo, pelo simples fato de já ter vivenciado tal situação tantas outras vezes.
Assim sendo, deixe-me continuar; após ter saído do prédio onde moro procurei ter cuidado em não passar pela frente do bar onde ficam os velhos trambiqueiros conhecidos meus. Taí coisa que não gosto: trambiqueiros e pessoas que não moram comigo me vendo todos os dias. E o que é pior desta história toda é ter de pagar bebidas para esses tipos. Muito desagradável. Mas procuremos esquecer desta parte e continuemos com o relato sem desvios de percursos. Então, com uma olhadela para um lado e uma olhadela para outro enquanto caminhava, estava eu, em poucos minutos, completamente perdido. Incrível como isso pode acontecer comigo. Mas isso não tirou o prazer que sentia em caminhar livre por aí, sem rumo, literalmente.
Depois de ter caminhado algumas quadras fiquei cansado. Também pudera, sei lá por quanto tempo fiquei dando voltas pelas ruas sem saber como me localizar. Mas não estou aqui para me reclamar disto ou daquilo. Casos que, deixe-me continuar com a narrativa; como fazia muito calor resolvi entrar numa porta que estava aberta. Calma! Não costumo entrar em qualquer porta que esteja aberta, aquilo me parecia ser um bar. Casos que fiz uma ligeira e estúpida associação: bar, porta aberta, Baltazar... Tudo haver. E, sendo um bar, o melhor que tinha a se fazer naquele momento seria entrar e saborear uma cerveja.
Ao entrar no estabelecimento me deparei com um, digo, com alguns tipos estranhos. Um com a cabeça apoiada no balcão dormindo de babar, um outro, sem os sapatos, coçando os vãos dos dedos. Coisa fina, pensei. Um terceiro, minúsculo que só ele, parecia até coisa de circo, que desde o momento que entrei, tomei umas três cervejas e fui ao banheiro mijar, até o momento que saí, não parou um só instante de gargalhar. Sujeito engraçado este, continuei pensando. Prosseguindo com a descrição; havia uma coisa que me deixou curioso, pois entre um ovo de codorna e outro (levemente esverdeados por sinal) num pires havia um outro objeto redondinho escuro e que se mexia, do qual só tive ciência depois que foi afugentado por um tapa no vidro da estufa, que não funcionava, claro. O objeto? Um pequeno besouro sendo devorado por formigas.
Parecia tudo estranho, mas o grau de estranheza de tudo aquilo junto não se comparava com o da proprietária do local, ou talvez devesse dizer: proprietário, sei lá. Aquela cara gordona com um sorriso débil em sua boca fétida me causava náuseas, mas quanto a isso era fácil, bastava apenas se afastar dela, ou dele, e claro, não olhar diretamente para ele, ou ela. Tente imaginar a situação; embaixo de um nariz peludo havia um indiscreto buço, que, dependendo de como visse, poderia até dizer que era um baita de um bigode. Bom, só sei de uma coisa; não era nada feminina aquela visão. Coisa que me deixou um pouco intimidado, mas como entrei ali para beber nem dei conta do aspecto da... Do indivíduo que estava atrás do balcão.
Mas, depois de mais umas duas ou três cervejas aquilo tudo deixou de ser estranho aos meus olhos, mesmo porque eles já não serviam para muita coisa, e todos ali ficaram amigáveis. Não! Esta palavra é forte demais para a situação. Digamos apenas que ficaram com suas feições mais aprazíveis. Contudo, era hora de partir, rumo à minha casa lógico. Até porque eu ainda estava perdido. Teria de descobrir o caminho de volta ao lar, e isso poderia levar algum longo tempo, ainda mais depois dessa cervejada toda. Posso dizer que tive uma tarde bacana, regada por bebidas, caras feias e pessoas estranhas, mas, tudo bem, foi divertida. Sabe, sou um sujeito de sorte, pois com toda aquela bizarrice no bar não tive pesadelos como pensei ter na hora que fosse dormir. Mas é isso. Até a próxima.
Sabe, mesmo com esta aparência, a dona, ou o dono do bar, era bem agradável... e bom de conversa. Talvez até volte lá um dia, se eu lembrar como faz para chegar até o boteco.
Oiram Bourges 16:34 [+]
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Quinta-feira, Novembro 17, 2005
Aqui, por esses dias, tem feito um calor dos diabos. As pessoas com quem falei, e que por sinal foram muito poucas, também me disseram que não estão mais agüentando com este calorão desmedido. Para vocês terem uma idéia de como a situação está braba, aqui dentro de casa eu tenho circulado apenas de cueca. Porém, parece-me que nem assusta mais este tipo de coisa, pois partindo de mim, tudo pode acontecer. Já as crianças são mais comedidas, se vestem com mais discrição. Quanto a Olga... Ah, ela teve uma criação enérgica em colégios de freiras. Então, procura não se expor à essas poucas vergonhas. Mas, assim mesmo, com todos os seus pudores tem desfilado pelo apartamento em roupas sumárias. Bom, pelo menos depois que todos vão se deitar.
Se bem que nem foi para isso que me indignei a sentar aqui e escrever o que me aconteceu esta semana que passou. Vejamos; depois que me reencontrei com aquele patife do Ermenegildo, mais conhecido como Coronel Beleléu, minha vida aqui no bairro virou uma agitação só. Tenho sempre uma coisa nova para fazer, mesmo que não seja uma coisa boa de se fazer. Enfim, coisas de aposentado. Mas são dessas maneiras que as atividades surgem em nossas vidas. E após escorrer, por derretimento, pelas portas do apartamento, do elevador e da recepção do prédio onde moro de tanto calor que tem feito rumei até o próximo boteco por baixo das marquises, pelas nesgas de sombra projetadas nas calçadas. E fazer o quê? Encontrar o tal do Beleléu, oras.
Chegando lá fui apresentado para um outro picareta do local, e claro, já nos entendemos. No entanto, procurei não me misturar com essa laia. Poderia me dar mal no futuro. Além do mais, basta ter encontrado este milico aposentado no meu bairro para me encher de agitação. Então, depois de algumas cervejas estávamos prontos para bolar uma maneira de ganhar dinheiro mais facilmente. Obviamente que a esta altura dos fatos eu já me encontrava com os pés redondos, de tanto beber. Sendo que nada daquilo combinado de fazer iria ser feito realmente, isso era fato. E a explicação era simples; o esquecimento tomaria conta de nossas mentes vazias antes mesmo que pudéssemos levantar nossas bundas pesadas da cadeira para ir ao banheiro mijar... Nas calças, paredes, e, finalmente, se sobrasse ainda urina para tanto, na latrina.
Quem "adora" nossas reuniões bestas é o proprietário do bar, sempre encontra um jeito de nos tocar do seu estabelecimento antes que resolvamos dar início a uma estúpida competição criada nos tempos de quartel, e que funcionava da seguinte forma: quando nós, ainda jovens, estávamos bêbados, fosse onde fosse, tínhamos de cantar o Hino Nacional, se errássemos a letra, o que sempre acontecia, nós pagávamos em flexões de braço. Mas veja: isso acontecia quando éramos jovens. Hoje, se essa competição acontecesse de verdade nós acabaríamos xingando um ao outro, pois não conseguiríamos nem cantar corretamente nem fazer as tais flexões. Sendo que para flexionar o joelho em qualquer escada já é uma dificuldade, agora imagine os braços em exercícios de força.
Está bem, vou resumir a história; depois que eu já estava babado e com as calças molhadas, frente e verso, fui convencido de voltar para casa. Então um taxista me botou para dentro de seu carro e despejou na frente de meu prédio. Ciente de que eu nem imaginava onde estava tratei de sair engatinhando para qualquer lugar. Como tinha de subir uns degraus até entrar no prédio eu preferi descer. E como descer se ainda nem tinha subido? Penso. Logicamente resolvi me deitar na calçada e dormir ali mesmo. Ainda bem que o porteiro se simpatiza comigo. A prova disto é que ele me colocou, entre um peido e outro, tanto da parte dele quanto da minha, para dentro do elevador. Creio que não preciso ficar me cansando a ponto de relatar o que me aconteceu quando a Olga viu o estado deprimente em que eu estava. Tudo bem, eu conto uma parte. Veja; além das vassouradas nas pernas e na bunda, parei embaixo do chuveiro com uma água fria. Mas... Nem liguei pra isso. Foi até bom para aliviar o calor da semana.
Bêbados, quando estão bêbados, costumam dormir em qualquer lugar. Eu, quando estou bêbado, costumo fazer o mesmo que eles.
Oiram Bourges 23:32 [+]
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Quinta-feira, Novembro 10, 2005
Nesses dias estranhos, mas agradáveis de primavera, resolvi sair de casa. Passear um pouco me faria bem. Pelo menos foi assim que pensei, pois ficar em casa me dá no saco. Casos que fui para o ponto de ônibus, talvez quisesse me perder pelo bairro novamente. Mas desta vez seria um pouco diferente e mais fácil o meu retorno; anotei meu endereço completo num pedaço de papel. Assim sendo, nada havia para temer. Todavia, no caminho para o ponto do lotação, encontrei um outro militar aposentado descansando num dos bancos da praça. O nome dele era Ermenegildo, mais conhecido na época por Coronel Beleléu. E, sem despertar suspeitas tentei fugir daquele lugar antes que me visse. Porém, foi em vão. Ele me chamou através de nosso antigo grito de guerra, aí então não tive outro jeito senão ter de ir lá, conversar.
Depois de muito papo furado e sem graça alguma, tanto para mim quanto para ele, resolvemos combinar algo para fazer de divertido. Pensamos por um tempo e tivemos uma idéia que parecia ser fantástica; criar um curso para os moradores do bairro. Mas, um pequeno problema surgiu com esta idéia mirabolante e muito mal pensada, e consistia em apenas uma coisa: ensinar o quê? Bom, depois de mais um tempo analisando as hipóteses, todas sem fundamento, chegamos a uma conclusão. Ensinaríamos aos alunos, se tivesse algum obviamente, a arte de se passar bem quando não tem nada para fazer. Tudo baseado em fatos reais. E ainda, por dois mestres no assunto.
Após quase uma semana de intensa propaganda boca à boca pelas portas de botecos, farmácias e supermercados da região, começaram a aparecer umas pessoas para se inscreverem. E todos portando um dos objetos de maior uso neste curso: um rádio de ondas longas, ondas médias, ondas curtas e almost waves. Claro que eu, digo, o Adalberto, era o único que tinha este tipo de rádio, pois ele fora importado há muito tempo de um grande centro tecnológico do Paraguai, onde fabricou tal rádio com peças importadas da Argentina. Poderia dizer que tal mimo não é para qualquer pessoa, só para ele e para mim, que vivo emprestando dele. Continuando; como sabia que nem todos teriam este maravilhoso equipamento toleramos os inscritos com rádios de ondas curtas mesmo. O importante era comparecer.
Ficamos surpreendidos com tatos aposentados e pessoas de meia-idade batendo em minha porta para participarem do curso. Isso queria dizer dinheiro extra para o Natal, viagens e outras bobagens. Lá pelas tantas, quando a sala estava abarrotada de gente, e uns pisando sobre os outros, a Olga chegou. Assustada, e ao mesmo tempo encolerizada, ordenou que todos, inclusive eu, fossem embora pra rua, e não quis nenhum tipo de explicação. Puxa vida; pensei, ela bem que poderia ser mais compreensiva comigo, ou com as maneiras que resolvo para tirar uns trocados a mais, pois, sem querer, e depois por querer, acabou interrompendo a terceira lição, que no meu ponto de vista era uma das mais importantes do curso. Sei que escarrar o mais longe possível através da janela não é lá a maneira mais agradável, muito menos a mais polida para um cavalheiro, mas e daí? Ninguém tem nada haver com isso nem nada a ver também.
Agora você quer saber por que do rádio, já que nem mencionei nas lições. Pois bem; o rádio serve apenas para dar um tempero nessas lânguidas tardes inúteis de primavera, e depois vem as tardes estúpidas de verão, e assim por diante. Cada tarde com sua característica principal, ou seja, nenhuma. E agora fiquei aqui, sozinho, na esquina, olhando os carros passarem e sem um lugar bacana para ir. Primeiro porque não sei como é que se chega lá, seja qual for o lugar, e depois porque não estou com vontade de sair mais. Quanto ao coronel? Aquele patife? Foi para o beleléu, como sempre fez na hora em que precisávamos dele. Maldito. Bom, fiquei cansado de toda essa bagunça. O pior de tudo que vou ter de devolver o dinheiro a esse povo. Tudo por causa da Olga. Mas também não vou limpar nada lá em casa, caso tenham sujado. Nem lavar o telhado do prédio vizinho... Muito menos pedir desculpas pelo que foi feito. Afinal de contas, nós homens, precisamos nos impor nestes momentos cruciais.
Este era o carro de um infeliz que estava estacionado entre meu prédio e o prédio do vizinho. E como nem todos conseguiam escarrar à longas distâncias acabou caindo um pouquinho dessas nojeiras no veículo. Mas também não quero nem saber disso.
Oiram Bourges 18:05 [+]
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Sábado, Novembro 05, 2005
A falta de atividade é um problema que afeta nossas vidas diretamente. A comprovação desta teoria mostrarei agora com uma pérola que me aconteceu dia desses. Hã... Veja: me aconteceu alguma coisa, mas foi decorrência das coisas que não acontecem. Bom, o que estava falando mesmo? Ah, sim; depois de alguns meses socado neste apartamento, só saindo vez ou outra para pegar sol e tomar umas cervejas (terapia ocupacional), a Olga resolveu que tínhamos de sair para passear um pouco, porque até para ela a coisa está feia, neste sentido. Que sentido? A solidão é claro. Sabe, minha senhora também está isolada de suas amigas fofoqueiras neste fim de mundo que ainda não sei, e nem pretendo saber qual é o nome deste bairro em que viemos morar.
Casos que fomos, eu, a Olga, netos, e a sobrinha, e pasmem, até os animais, todos para arejar nossas mentes. Para qual lugar fomos? Oras, esperem um pouco, se contar tudo agora perderá a graça, ou talvez, perderei a linha de raciocínio. Coisa não muito difícil de acontecer. Continuando; meu fusquinha partiu rumo ao desconhecido, sendo que este desconhecido, aos olhares da Olga, poderia ser qualquer casa de amiga ou parente. Contudo, bons ventos sopravam em nosso favor. Isso queria dizer o seguinte: fomos realmente a um lugar novo.
Depois de horas encalacradas neste veículo resolvemos parar numa lanchonete qualquer que estava no meio do caminho. Isso para aproveitar ainda mais a viagem. Sabe, o clima era de descontração entre nós, sendo que, o primeiro grupo muscular a ser descontraído em nossos corpos pueris e cheios de câimbras, foi o da perna. E quando todos, menos eu obviamente, já estavam bem com seus corpos, e querendo se dispersar para as barracas de quitutes e bebidas que tinha espalhado pela região resolvi, que era o momento adequado para catar o pessoal e enfiá-los no carro, pois deveríamos continuar com a viagem, mesmo que sem saber para onde estávamos indo.
Bom; sei dizer que a brincadeira, lá pelas tantas, começou a encher o saco. Nada daquilo que víamos na estrada estava agradando. Quando não tinha muito mato para olhar nos acostamentos da estrada, tinha pequenas vilas compostas por casinhas feitas de sapê. E aquilo durou por umas horas até que chegamos num lugar maior e melhor apresentável. Foi aí que descobrimos onde fomos parar, no litoral. Olha; quando eu estava pensando em voltar encontrei aquilo tudo só para nós. Contudo, o dia estava um pouco frio e ainda por cima nublado. No entanto, assim mesmo nos divertimos. Quero dizer; chegamos a pensar que isso ia acontecer, mas como já falei, o tempo estava estranho, e isso bastou para atrapalhar nossos planos... Bom, nem sei direito do que estou falando, porque até então nada tinha de combinado.
Pelo menos conseguimos alcançamos nosso objetivo: sair de casa. Aquele prédio que nunca consigo encontrar o caminho quando saio para passear, e que ainda não fazemos nada de especial além de ficar, sempre, com a maior e a tradicional cara de bunda. Coisa que, enquanto morávamos na outra casa, apenas eu ficava com esta feição pouco agradável. E agora que chegamos no dito lar estou eu, largado na minha poltrona e com os pés numa bacia de água para refrescar. Sabe, depois que voltamos do litoral a temperatura por aqui ficou bastante quente, e com um grande sol escancarando seus horríveis dentes para mim, mas isso acontece só para me provocar. Quem me provocar? Ah! Sei lá. Não imagino quem teria coragem de fazer isso comigo. Mas é isso. Agora preciso trocar a água da bacia, pois o vira-lata daqui resolveu cagar dentro. E o pior de tudo que o danado quase acertou meus pés com a bosta. Oh, bosta.
Além do tempo não ajudar havia algo na praia que não deixava o pessoal animado.
Oiram Bourges 21:01 [+]
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Sexta-feira, Outubro 28, 2005
Estávamos nós, eu, a Olga, os netos, a sobrinha, e os incríveis e estúpidos animais, todos sentados na sala do apartamento. Admirando o nada que botava em várias partes deste ambiente sem graça. Foi aí que lembrei que estava de posse do rádio de ondas longas, ondas médias, ondas curtas e almost waves do Adalberto. Liguei-o então. Sabe, um pouco de distração seria bem-vindo em nossas míseras vidas que traz, timbrado em nossas faces enrugadas e foscas, o nome de todas as telenovelas existentes na televisão brasileira. Assim sendo, liguei o rádio para ver se conseguia alguma diversão.
A princípio foi um fiasco total, e com direito a reclamações e ordens para desligar a porcaria do rádio. Eu, insistente, para não dizer teimoso, continuei com a zoeira, claro. Os bichos que estavam com a maior cara de desânimo saíram em disparada e assustados para fazer seus cocôs, de pânico, em qualquer lugar da casa. Bom, em um dado momento quase desisti de ouvir os chiados e ruídos característicos desses rádios, e minha quase desistência se deu pela enorme quantidade de tapas que levei na nuca e na testa. Confesso que já estava ficando irritado e ao mesmo tempo tonto com toda essa situação, mas como disse há pouco, sou insistente.
Lá pelas tantas, quando estava conseguindo sintonizar algum sinal decente no rádio, tocou a campainha. Logicamente não fui atender, nem deixei que o fizessem. Afinal de contas temos de mostrar aos outros que não somos tão fáceis como pensam. Então, depois dos repetidos toques na maldita campainha e já partindo para pancadas na porta, fui, eu mesmo, atendê-la, pois o pessoal de casa sabe que comigo a conversa é outra. E assim que abri a porta dei de cara com o pirralho do Afonsinho. Ele, para quem não sabe, é aquele típico rapaz que tem um físico tísico, e ainda, usa calças curtas e uns mal acabados borzeguins. Para complementar essa vestimenta bizarra do século XIX ele ainda usa camisa com gravata borboleta, e, por cima de tudo isso, um pulôver, que mais parece uma meia escocesa, de tantos losangos coloridos que há nele.
Continuando; com sua voz rouca e sofrida resmungou: "Papai, que se encontra empenhado em um novo projeto caseiro, pediu-me para avisar que seu rádio o está atrapalhando. Poderia desligá-lo, ou pelo menos baixar o volume?". Eu, após todo esse pedido, senti-me consternado. Contudo lhe respondi, em tom moderado, porque sou uma pessoa bem educada, que ele e o chato do pai dele fossem, juntos de preferência, à p.......que o.......iu. Para quem não conhece; o Afonsinho é filho do Afonso, que é o sujeito mais chato que já conheci em toda minha vida. E antes de bater a porta na cara no guri falei para que o pai dele parasse de inventar estórias sobre novos projetos. Sei que ele não faz nada além de ficar assistindo televisão o dia inteiro com um penico esmaltado ao seu lado para que possa escarrar.
Bom, depois que aconteceu toda essa cena bati a porta e procurei meu lugar no sofá, que de onde todo o pessoal apenas me olhou de cima a baixo e pronto, nada mais. Eles também já estavam embotados, e de saco cheio de tudo que acontecia com eles naquele apartamento. Por um lado até gostei, pois assim ficam sabendo como é que eu vivo neste lugar. Mas também, e pensando bem, nem é bom que fiquem desta maneira, porque o desânimo não deixa a pessoa especialista (Olga) em fazer pudins de leite fazer o meu pudim. E isso não é nada bom. Ah, sei lá. De qualquer jeito nunca é bom para mim aqui. Então, procuro aproveitar que estou de posse do rádio do Adalberto para encontrar uma emissora adequada para me divertir. Sei que a ocasião não é lá das melhores para a diversão, mas quase nunca é. Então, esta é a vida. Até a próxima.
Com esta cena aposto que já conseguiram imaginar como estavam nossas vidas neste dia tão... Puta merda.
Oiram Bourges 12:24 [+]
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Domingo, Outubro 23, 2005
Estava eu, neste último sábado, sentado em um estúpido banco de praça, e ainda me lambuzando com uma estúpida barra de chocolate enquanto, imerso em estúpidos pensamentos observava a velharada, também estúpida, que estava por lá. Ora, com tanta estupidez assim não poderia acontecer outra coisa senão ter de voltar para casa, aborrecido, com enfado e embotado. Um possível passa-tempo para mim naquele dia seria assistir alguma coisa interessante na televisão, e nem precisava ser algo mirabolante. Bastava ser simples, porém, bem feitinho, só para mim. Mas as coisas não são como costumamos querer para nós não é mesmo? Assim que adentrei em casa me deparei com minha neta e minha sobrinha esparramadas no sofá, de posse do controle remoto, e assistindo adivinha o quê? Um programa estúpido, claro. Por sorte, minha, recebi um recado, quero dizer, recebi vários recados, todos informando que haveria a festa do terceiro ano de existência do bar do Odil.
Com a mente já boiando em um mar de salivas pensei: preciso ir lá neste exato momento para aliviar meu cotidiano purgativo, e aí poder tomar alguns exemplares daquele chope danado de bom. Casos que, imediatamente (que significa umas duas horas aproximadamente) consegui encontrar minhas roupas adequadas para essas datas. Mas desta vez eu iria à festa um pouquinho diferente. Veja; além dos sapatos gastos, das calças já um tanto surradas, e da camisa preparada para receber, como forma de tratamento, as tradicionais marcas de queimadas de cigarros, charutos e cachimbos, e ainda, o inevitável banho de chope, levaria, como parte da indumentária, um maravilhoso chapéu. Creio na hipótese de que em certas ocasiões são precisos alguns detalhes para sermos destacados em lugares onde há um monte de gente. Mesmo que o tal detalhe (chapéu) não orne em nada com o resto do conjunto (vestimenta).
Voltemos ao assunto então, pois os leitores precisam saber o quão importante é participar dessas festas do Ao Distinto Cavalheiro. E depois de ter me aprontado era hora de ir ao bar. Pois bem, após alguns minutos procurando um ponto de ônibus consegui encontrar uma condução que possivelmente me levaria ao centro. Nada mal, pensei. O problema consistia nesta facilidade de encontrar o tal ônibus. Acredita que demorei um pouco mais de uma hora para conseguir chegar ao bar? Oras, a culpa foi do ônibus que se dirigiu para o lado errado. Mas isso não vem ao caso agora. O que importava para mim era ter chegado são e salvo na festa, mesmo com o pequeno atraso, e com sede, claro. Nem preciso dizer que já tinha encontrado o Pereirinha, o Azambuja e o Adalberto encostados na parede, do lado de fora, com a maior cara de que porre. Quanto ao Odil; assim que cheguei na área vi um sujeito dormindo sentado no meio-fio com dois copos, um cheio de chope e mosquitos, e o outro vazio. Só consegui reconhecê-lo pelo charuto, que estava, milagrosamente, preso na boca. Logicamente que era o Odil, mas ele estava juntando forças para chamar o pessoal. Sim, e para cantarem junto com ele, se conseguissem, o samba que havia composto durante a curta ressonada no chão. Quer saber para quem era aquele copo cheio? Ele havia guardado para mim. Mas os insetos tomaram conta do presente antes de mim.
Para vocês terem uma idéia de como estava a festa; o dono do boteco nem subiu no tradicional balcão para dar seus tradicionais urros de alegria. Ele apenas escreveu em um cartaz, dias antes, a frase: "Viva todos os Distintos Cavalheiros", e se apoiando no barriu vazio de chope levantou o cartaz sem dizer uma palavra se quer. Mas o sorriso estava lá, estampado em sua face. Em compensação... Todos fizeram o mesmo. Trouxeram de casa, cada qual o seu cartaz, claro, e pintados dias antes também, a festiva palavra: "Viva!". Sobre as músicas; eram bem tocadas. Como sempre. A diferença consistia que no dia estavam a postos a banda marcial do Corpo de Bombeiros se revezando com a banda da Polícia Militar para dar alegria ao evento. E entre uma música e outra dessas corporações, o conhecido grupo de choro tocava nossas maravilhosas e conhecidas canções.
Deixe-me terminar logo porque sinto a casa rodar nesta hora. A volta do povo para suas casas, após a festa, foi uma incógnita. Ninguém, incluindo o Odil, sabe como chegaram numa boa em suas respectivas casas. Mas todos sabem dizer que a festança foi das boas. Bom, pelo menos daqueles que conversei ainda lembram do momento em que serviram um grande bolo no meio do bar, e que saiu de dentro dele uma gostosona enrolada numa faixa e rebolando. Depois daí não sei de mais nada. E quer saber de uma coisa? Nem quero saber também. Já chega o que sinto do meu corpo, todo doido. As roupas furadas de queimadas de cigarros etc, etc. Quer saber do meu chapéu? Sei lá onde foi parar. Contudo, parece-me que tirei uma foto tomando chope no próprio chapéu. Mas ainda preciso confirmar esta lembrança quando retornar ao Distinto. Por certo o Odil dever ter esta foto em seu arquivo. Agora me dão licença, pois preciso encontrar uns remedinhos para tomar. Minha cabeça parece que vai explodir.
A festa estava tão animada que nem a mulherada deixou de ir. Fizeram a maior bagunça no lugar também. Ainda bem que compareceram, pois só ficar olhando marmanjo beber é um pé no saco.
Oiram Bourges 00:03 [+]
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Quinta-feira, Outubro 13, 2005
Sabe como é a vida de uma pessoa aposentada? Um saco! Por isso mesmo decidiram por mim. Resolveram que o melhor a fazer seria me colocar em uma academia, mexer o corpo e coisa assim. Até no início parecia ser uma boa idéia, mas isso foi apenas no início. Até o momento em que estava fazendo a inscrição estava bom, depois disso a situação ficou feia. Tive até de trocar de roupa, não sei por quê? Estava tão confortável com a minha. Fui obrigado a colocar uma roupa justa para fazer a tal ginástica. Nem preciso dizer que quase morri sufocado com aquela roupa grudada em mim... Tudo apertado... Uma verdadeira bosta. Posso afirmar que estava sentindo dores antes mesmo de qualquer atividade física. Só por causa daquela maldita roupa.
Bom, procurei me conter, pois estava ansioso com a situação. Exercícios, depois da época do quartel, para mim era inédito. Então deveria me acalmar. Sabia que não poderia ser pior que naquela época. Afinal de contas eu poderia fazer esta atividade, que nem sabia ao certo o que estava reservado para mim, numa boa. E ainda, admirando os corpos femininos bem torneados rebolando na minha frente. Oras... Pensei. Tudo bem, então. "Vinde a mim as criancinhas", continuei pensando. No entanto, continuava sufocado, parecia que estava engessado com aquela roupa toda pegajosa. Agora o que mais me chamava a atenção, e creio que nas outras pessoas também, mas com os outros nem me preocupo, era a minha aparência naquela malha justa; parecia uma azeitona preta gigante com braços e pernas, e ambos bem fininhos. Mas para conseguir um pouco de calma, como se eu estivesse nervoso a esse respeito, utilizei-me da frase: ninguém é perfeito. Sei que esta frase serve de muleta para aqueles que não se encaixam em nada daquilo que resolvem fazer, mas pelo menos funcionou.
Nossa! Fiz tanto drama só para o começo da coisa. Deveria ter guardado toda essa indignação para depois das atividades. Porque daí vocês sentiriam mais efeito nessas palavras. Depois que consegui me aprontar, com a roupa e com o moral, fui até a sala onde estava um monte de mulheres e ninfetas. Porém, antes que conseguisse entrar naquela que seria a sala ideal para mim, fui puxado para uma outra sala, que seria para fazer alongamento. Como se precisasse disso para viver... Ã... Veja, ainda era com uma mulher ministrando a aula, mas era de assustar ver todo aquele movimento, de braços, pernas e corpo, se contorcendo de um lado para outro sem desmanchar seu impecável e aterrador sorriso de enfado que permanecia estampado em sua face estúpida. Poderia dizer que tal imagem era, para mim, a verdadeira face do mal. Ainda mais depois que ela resolveu dar atenção especial para mim. Mesmo já sabendo como Ele é, depois de umas conversas lá em casa, gritei para mim mesmo: "Meu Deus! Isso é o meu fim".
Então, de posse das minhas pernas, ela começou a girá-las freneticamente para um lado, enquanto torcia meus braços para o outro lado. Já meu corpo reagia a esses movimentos da maneira que só ele sabe fazer; peidando. Quanto a minha cabeça... Nem sei o que dizer dela. Simplesmente dava sinais de vida através de gritos, todos bem desafinados, claro. Só sei que, depois de uma hora, aproximadamente, a aula terminou. E da mesma maneira fiquei também: acabado. No entanto, a professora, se é que posso dar este título para aquela miserável que me quebrou, saiu assoviando da sala, como se nada tivesse acontecido. Agora, quanto a mim; ah, coitado! Precisei de, pelo menos, umas três pessoas para me desgrudar do chão e juntar meus cacos, ou só juntar meus cacos, ou simplesmente me desgrudar do chão. Ah, tanto faz, minha situação não era das melhores mesmo. E aí, depois desta situação de risco, e ao mesmo tempo tenebrosa em que fui envolvido, minha família acreditou na hipótese de que eu realmente não precisaria de mais dessas seções de tortura. Ainda bem que largaram mão dessas besteiras de físico bonito e perfeito. Hum! Pra que isso? Sabe que depois de umas cervejas toda aquela pompa vai desabar num vaso sanitário qualquer junto com a urina.
Esta daqui foi a infeliz que deu a aula para mim. Parece tão inocente não é mesmo? Também pensei assim.
Oiram Bourges 23:34 [+]
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Domingo, Outubro 09, 2005
Vejam só como são as coisas: cansado de tanto tempo sem atividades, por motivos de... Que não vem ao caso neste momento, resolvi fazer uma viagem curta. Respirar outros ares parecia ser a melhor opção parar quem ficou muitos dias sem opções. Cansado de olhar sempre as mesmas coisas do tipo: cachorro e gato disputando cada centímetro quadrado da casa com suas cagadas e mijadas... Tudo bem, também fiz das minhas. Porém, de uma maneira menos grotesca. Apenas escarrei por um tempo nos cantos, mas percebi que não valeria à pena continuar com essa idéia um tanto quanto ultrapassada. Assim sendo, tratei de pegar meu fusca, que se ele falasse seria um bom companheiro realmente, e fui para uma estrada qualquer. Não me preocupei muito com essa história de pegar um caminho certo porque sabia que a viagem seria curta.
Não há de ver que consegui acertar o caminho... Errado? Logicamente em poucos minutos andando de carro eu já nem sabia em que estrada rumava. Mas também não estava preocupado com isso, pois sabia que poderia contar com a ajuda de algum policial, ou do frentista de algum posto de gasolina para voltar. Pensando desta maneira seguia eu pisando fundo no acelerador do carro, que, entre um buraco e outro da estrada tinha de suportar um maciço ataque suicida de besouros, mariposas e outros bichos que não sabia identificar porque se espatifavam no pára-brisas antes de qualquer tipo de identificação. E também tem outra coisa: mesmo que não se arrebentassem no vidro não saberia dizer que insetos eram, pois não entendo nada dessas coisas.
Vou resumir um pouco; depois que não via mais nada, devido ao vidro do carro estar um verdadeiro nojo, pela enorme quantidade de cadáveres esparramados, e seus devidos cocôs, tive um pneu do carro furado, só para completar a situação. Sabe, a tal estrada parecia uma... Uma... Uma coisa sem sentidos, de tantos buracos que tinha nela. E agora? Agora já estou em casa. Mas o fusca ainda não chegou. Não, não troquei o pneu. Não gosto dessas coisas. Então, isso quer dizer que deixei o carro por lá mesmo e voltei para casa de carona... Com um caminhoneiro que passava por lá. Mas isso foi depois de uma hora aproximadamente. Num momento em que eu já começava a dar sinais de desespero, de tanto olhar para o carro cagado. Agora você me pergunta se eu tive medo de que roubassem meu carro. Sabe, não tive não. Mal se via a cor do carro, de tanta bosta e lama que cobria sua lataria. Então me perguntei: quem roubaria um veículo nessas condições? Só louco mesmo.
E assim que cheguei em casa, isso depois de sei lá quantas horas, liguei para uma empresa de guincho para resgatar meu xodó. Porém, antes de entregarem aqui em casa falei para dar uma lavada nele, pois eu é que não queria vê-lo assim, nessas condições. Essas coisas me dão até vontade de... De... Vomitar. Agora, o que realmente me incomodou naquele instante, foi uma picada de inseto que levei na orelha durante a espera de algum infeliz que passasse com um meio de transporte para me tirar de lá. A situação estava medonha para mim. Parecia até uma bolacha recheada, de tão gorda que ficou. Além do motivo de que tive receio de sair às ruas, depois que cheguei em casa, pois as pessoas poderiam me parar para fazer uma ligação telefônica para algum lugar.
Oiram Bourges 22:42 [+]
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Sexta-feira, Setembro 30, 2005
Nesta semana, por incrível que pareça, aconteceram coisas interessantes em minha vida. Claro que, onde acontecem coisas interessantes acontecem, de maneira simultânea, coisas chatas e irritantes também. No sábado (falando ainda do final de semana passada), depois de várias semanas sem conseguir me locomover acertadamente pelo bairro onde passei a morar, e de saco cheio de família, consegui, logicamente com a ajuda do Pereirinha, ir até o centro da cidade, e de ônibus ainda por cima. Pode-se dizer que isso é extraordinário. Ainda mais depois do que descobri; meu amigo, o Pereirinha, mora há poucas quadras de onde moro. Isto não é fantástico? Então... Agora, deixe-me continuar com a narração antes que este emocionante momento de bobeira me comova e me faça perder a noção do ridículo, e aí então, me ponha a chorar feito criança por esta descoberta tão sem motivos para tanto.
Bom, sendo assim, estávamos lá, em pé, segurando nossos guarda-chuvas em um braço e a capa de chuva em outro, pois tudo era válido para a proteção de nossos corpos ante mais um dilúvio que se formava. Aí, agora, vem você perguntar se nós não fizemos papel de bobo com toda essa indumentária diante da multidão que assistia a apresentação dos velhinhos que um dia fizeram parte de alguma banda marcial lá na Praça Osório. Heis aqui tua resposta: claro que não! Os próprios integrantes da banda estavam trajando capas para se protegerem da chuva, que ameaçava cair há qualquer momento, e as infames galochas também fizeram parte da apresentação. Querem saber de uma coisa? Mesmo sem tocar uma nota sequer, e ainda por cima feias como sempre foram, desde o início de sua criação, deram um colorido especial aquele sábado cinzento. Veja; tudo é válido para proteção. Para vocês terem uma idéia de como estava o tempo, até a multidão se encontrava munida de capa e guarda-chuva. Mas também, quanto aos outros... Danem-se.
Olha, eu até já estou com vontade de encerrar logo, pois já estou cansado. Porém, antes de qualquer decisão precipitada, quero explicar o motivo de dizer no começo do episódio desta semana que as coisas interessantes sempre são acompanhadas de coisas chatas e irritantes. Pois bem, estava eu... Digo, estávamos nós lá na praça ouvindo boa música quando surgiu, quero dizer, surgiram, paulatinamente, sujeitos estranhos e impregnados com suas características próprias na praça. E sabe o que era pior de tudo? Ter de dividir esses bons momentos musicais com tal tipo de gente. Aquilo foi o fim, meus ouvidos estavam divididos entre ouvir boa música e um estúpido acompanhamento com assovios. Logicamente provinha de algum sujeito não menos estúpido que seu assovio. Além daquele que entre uma música e outra sacava de sua bíblia e balbuciava algo, para a multidão, talvez. Pelo menos é assim que penso. Sei lá, essas pessoas que se tornam fanáticas às vezes precisam de algum tipo de auto-afirmação, e aí então caem em alguma espécie de tentação, e aí se escoram em coisas fáceis de serem digeridas, como por exemplo: a religião. Mas isso é só quando a ignorância lhe toma por completo suas capacidades cerebrais. O que não é assim tão raro de acontecer porque tais capacidades cerebrais já são... Como direi... Diminutas.
Agora cansei, quero largar tudo e dormir um pouco. Você ainda quer saber mais sobre o resto do final de semana, e mais os outros dias? Oras, pra quê? Vá dormir também. É o melhor que se tem para fazer neste instante. E ainda que quisesse contar algo a mais, só para satisfazer pedidos de "quero mais", certamente contaria histórias todos os dias da semana, ou não. E aí meu amigo, ficaria muito chato... Pra mim, claro. Mas tudo bem, vá dormir, pois eu até já me joguei na cama para descansar. Banho? Pra quê?... Veja... Depois penso nisso está bem? Tchau.
Oiram Bourges 19:23 [+]
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Quinta-feira, Setembro 22, 2005
Hoje, especificamente, amanheci com vontade de comer algo diferente, ou pelo menos algo que fizesse tempo que não comesse. Mas restava saber o que era essa coisa que tanto queria comer. Na cama, ainda, matutava eu entre um peido e outro enquanto olhava o nada que estava na parede do quarto para ver se surgia o nome do prato a se feito. No início parecia ser fácil decidir o que fazer, mas como sou conhecedor da gastronomia de varais regiões do país, e de vários outros países, resolvi pedir ajuda a um simples pedaço de papel e uma caneta, pois minhas lembranças começam a dar sinais de fuga. Por que papel e caneta? ... Hum... Veja bem... Ah! Lembrei... Ah! Para fazer a relação dos ingredientes a ser |